O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, que o Exército de Israel assumirá o controle do sul do Líbano, avançando até o rio Litani, localizado a cerca de 30 km da fronteira entre Israel e Líbano.
A declaração de Katz se junta a outras ameaças de autoridades israelenses de ocupar território libanês em meio ao conflito com o Hezbollah, milícia libanesa aliada ao Irã. O Líbano se tornou uma das frentes do conflito que abala o Oriente Médio há mais de quatro semanas, após o Hezbollah abrir fogo contra Israel em 2 de março, em retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.
“Todas as cinco pontes sobre o Litani, usadas pelo Hezbollah para a passagem de terroristas e armas, foram destruídas, e as Forças de Defesa de Israel (IDF) controlarão o restante das pontes e a zona de segurança até o Litani”, afirmou Katz durante uma visita a um centro de comando militar em Israel, conforme reportado pela agência de notícias AFP.
Anteriormente, Katz já havia declarado que o Exército poderia “tomar território” caso as autoridades libanesas não conseguissem impedir os ataques do Hezbollah. Na segunda-feira, 23 de março, o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, defendeu a ampliação da fronteira de Israel até o rio Litani, afirmando que “a campanha militar no Líbano precisa terminar com uma realidade totalmente diferente”.
O Ministério da Saúde libanês informou que pelo menos 1.039 pessoas, incluindo 79 mulheres e 118 crianças, foram mortas em bombardeios israelenses desde o início da guerra. Katz também mencionou que centenas de milhares de moradores do sul do Líbano, deslocados pela guerra, “não retornarão ao sul do rio Litani até que a segurança seja garantida para os moradores do norte de Israel”.
Recentemente, as forças israelenses atacaram a Ponte Qasmiyeh, uma importante passagem que liga o sul do Líbano ao restante do país, o que o presidente Josef Aoun descreveu como um “prelúdio para uma invasão terrestre”. Muitos libaneses temem que Israel esteja tentando separar a região sul do Líbano antes de uma invasão em larga escala, o que deixaria mais de 1 milhão de pessoas, que foram obrigadas a deixar suas casas, sem lugar para retornar.
O deslocamento de civis por Israel é considerado um possível crime de guerra, segundo a ONG Human Rights Watch. “Milhares de pessoas continuam sem abrigo adequado – dormindo ao relento, nas ruas, em barracas ou em seus carros – enquanto outras estão amontoadas em abrigos coletivos superlotados e mal equipados”, afirmou o Comitê Internacional de Resgate.


