A jovem espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, morreu por eutanásia nesta quinta-feira (26) após uma batalha legal que se estendeu desde 2024, quando pediu autorização para realizar o procedimento.
Os Abogados Crisitanos, entidade ultracatólica que representou o pai da jovem, confirmaram em uma postagem no X que Noelia passou pela eutanásia nesta data. “Quero partir em paz e parar de sofrer, ponto final”, disse Castillo em uma entrevista exclusiva à emissora nacional Antena 3, poucos dias antes do procedimento.
O caso gerou grande comoção na Espanha e abriu um forte debate, especialmente após a transmissão da entrevista, com opiniões divididas entre apoiadores da decisão da jovem e aqueles que sugeriram que ela desistisse da eutanásia.
Noelia explicou que sua decisão foi motivada por uma vida complicada, marcada por uma adolescência instável devido à separação dos pais aos 13 anos, período em que passou em um abrigo. Além disso, ela enfrentou tratamento psiquiátrico para Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), e relatou ter sofrido abusos sexuais e tentativas de suicídio.
Castillo relatou três episódios de abuso: um supostamente cometido por um ex-companheiro, outro em uma boate, onde dois homens supostamente a estupraram, e o terceiro em um bar, envolvendo três meninos. Ela não denunciou nenhum dos casos. Após um desses episódios, em outubro de 2022, a jovem tentou suicídio, o que resultou em sua paraplegia.
“Dormir é muito difícil para mim e, além disso, sinto dores nas costas e nas pernas”, disse Castillo. Ela também destacou que seu sofrimento não era apenas físico, afirmando que “via o meu mundo como muito escuro (…) não tinha metas nem objetivos nem nada”, enquanto estava internada na residência social e de saúde de Sant Pere de Ribes.
A possibilidade de optar pela eutanásia em determinados casos é legal na Espanha desde junho de 2021. Para Noelia, solicitar a autorização foi apenas o início de um caminho complexo, especialmente porque sua família se opôs à decisão. O pedido de Castillo foi apoiado em 18 de julho de 2024 pela Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha (CGAC), que considerou que ela cumpria os requisitos estabelecidos por lei.
O processo judicial iniciado pelo pai de Noelia, aconselhado pelos Abogados Crisitanos, atrasou a eutanásia em 20 meses, passando por cinco instâncias, incluindo o Superior Tribunal de Justiça da Catalunha e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Nenhum dos órgãos se opôs à decisão da jovem, que foi considerada capaz de tomar tal decisão.
“Entendo que ele é pai, que não quer perder uma filha”, refletiu Castillo. A jovem se despediu da família e pediu que seu fim fosse íntimo e solitário: “Não quero ninguém dentro; não quero que me vejam fechando os olhos.”
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