Dois juízes foram vítimas de ataques racistas durante uma transmissão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) sobre igualdade de gênero. O evento ocorreu no dia 18 de março de 2026, e os juízes Fábio Francisco Esteves e Franciele Pereira do Nascimento estavam participando do Programa Paraná Lilás e da Apresentação do Programa Brasil Lilás quando os comentários racistas foram feitos no chat da transmissão.
A transmissão foi realizada via YouTube e ocorreu em formato semipresencial, com a participação presencial no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte, no noroeste do Paraná. Um dos comentários investigados afirmava que um magistrado “saiu da churrasqueira”. Os perfis que realizaram os ataques utilizavam nomes falsos, incluindo um que se identificava como Jeffrey Epstein, bilionário acusado de crimes graves.
A desembargadora Lidia Maejima, presidente do TJ-PR, comentou sobre o ataque racista no início da sessão plenária em 23 de março de 2026. “Que um ato de ódio tenha irrompido precisamente nesse espaço não é ironia, é uma afronta que exige resposta clara”, afirmou. Ela ressaltou a gravidade do crime, que é inafiançável e imprescritível, e mencionou que o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NISI) está trabalhando para identificar os autores.
A desembargadora também destacou que a agressão a um ser humano em um evento oficial é um atentado à Justiça e a todos que nela confiam. “O Tribunal de Justiça do Paraná não será conivente com o racismo”, disse. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Loanda, que está realizando diligências para esclarecer o ocorrido.
O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) expressaram solidariedade às vítimas e informaram que tomaram todas as providências legais e administrativas necessárias.
Franciele Pereira do Nascimento, uma das vítimas, é natural de São José dos Pinhais e foi promovida a juíza de Direito em 2024. Em 2025, ela comentou sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres pretas na magistratura. Fábio Francisco Esteves, o outro juiz atacado, é natural do Mato Grosso do Sul e assumiu a magistratura em 2007. Ele já relatou ter enfrentado dificuldades na infância para conseguir estudar.


