O governo do Distrito Federal foi impedido pela Justiça de vender uma área ambiental para cobrir o rombo no Banco de Brasília (BRB), relacionado a fraudes financeiras do Banco Master.
A decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) destacou o risco de subavaliação das áreas na Serrinha do Paranoá, que abriga 119 minas d’água essenciais para o abastecimento do Lago Paranoá.
Ambientalistas, acadêmicos e moradores da região criticam a proposta do governo. A resolução do juiz Carlos Frederico de Medeiros, da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do TJDFT, foi publicada no domingo (22) e proíbe qualquer venda ou alteração da região, com multa de R$ 500 milhões por ato.
O juiz ressaltou que a área foi avaliada como terra rural, o que a torna mais barata que a urbana, e que vendas apressadas costumam resultar em grandes descontos, indicando possíveis prejuízos financeiros.
““Para salvar o banco oficial do desastre provocado pela mais pura má gestão, torra-se às pressas o patrimônio imobiliário do povo, com pouca ou nenhuma atenção para aspectos que não representam dinheiro no mínimo tempo possível”, afirmou o magistrado.”
O BRB enfrenta uma crise de confiança e problemas de liquidez devido a prejuízos da compra de carteiras de crédito do Banco Master. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na compra de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos.
Para cobrir o prejuízo, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, propôs usar imóveis públicos como garantia de empréstimos, incluindo um terreno de 716 hectares na Serrinha do Paranoá, avaliado em cerca de R$ 2,2 bilhões.


