Milhares de chilenos saíram às ruas de Santiago na quinta-feira, 25 de março de 2026, para protestar contra o governo de extrema direita de José Antonio Kast, duas semanas após ele assumir o poder.
O novo presidente está avaliando um ajuste na gratuidade das universidades, após reduzir o orçamento do Ministério da Educação. Além disso, Kast anunciou um aumento de até 54% no preço dos combustíveis.
Os manifestantes, em sua maioria estudantes do ensino médio vestidos com uniformes escolares, marcharam por vários quarteirões da avenida Alameda, no centro da capital. Durante o trajeto, houve confrontos com a polícia, que usou canhões d’água para dispersar os protestos.
Assim que assumiu o governo, Kast ordenou um corte de 3% no orçamento dos ministérios, incluindo o da Educação, para cumprir sua política de austeridade. Sua meta é reduzir o gasto público em cerca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 31,4 bilhões) nos próximos 18 meses, mas seus opositores duvidam que ele consiga isso sem afetar benefícios sociais.
O governo também avalia estabelecer um limite de acesso à educação universitária gratuita para novos estudantes com mais de 30 anos, o que gerou temores entre os manifestantes sobre novos ajustes. Cartazes levantados pelos estudantes traziam a frase:
““Não merecemos este Kastigo””
, em um trocadilho com o sobrenome do presidente.
A partir de quinta-feira, a gasolina subiu 30% e o diesel 60%, após o anúncio de um forte corte no subsídio estatal que evitava grandes aumentos devido à guerra no Oriente Médio. Após o anúncio, motoristas formaram filas em postos de gasolina para abastecer antes da entrada em vigor dos novos preços, especialmente em Santiago.
A marcha passou em frente ao Palácio de La Moneda, apesar de o governo ter blindado o centro de Santiago com barreiras, fechamento de estações de metrô, desvio do tráfego e um grande contingente policial. Na residência presidencial, Kast promulgava sua primeira lei de “Emergência Energética” para mitigar os efeitos da alta dos preços, que inclui um bônus de 110 dólares (R$ 575) para taxistas e motoristas de transporte escolar.
“Não afetemos mais a pátria do que já está afetada”, afirmou Kast.
““Se alguém quiser manifestar o seu desagrado, que não use o transporte público, sobretudo o metrô, para se manifestar. Podem fazê-lo em qualquer lugar público, mas sem prejudicar outros compatriotas que necessitam desse transporte””
, acrescentou, lembrando os acontecimentos de 2019, quando o aumento do custo do metrô desencadeou a maior onda de protestos do Chile desde o fim da ditadura.

