O Laboratório de Virologia da Unicamp, classificado como NB-3, teve amostras de vírus furtadas. Este laboratório é projetado para o manejo seguro de micro-organismos de alto risco, garantindo a proteção do pesquisador e do meio ambiente.
Para ser classificado como NB-3, o laboratório deve atender a exigências rigorosas, incluindo acesso controlado e protocolos de descontaminação. No Brasil, existem laboratórios NB-3 em várias regiões, como na Universidade de São Paulo (USP), na Fiocruz no Rio de Janeiro e no Instituto Evandro Chagas em Belém (PA).
O Brasil opera apenas até o nível 3 de biossegurança, enquanto o nível 4 (NB-4), que oferece o mais alto grau de contenção, está em construção em Campinas, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
Os laboratórios NB-3 são essenciais para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas e tratamentos, permitindo o estudo de vírus perigosos, como o Ebola e o SARS-CoV-2. Luis Lamberti, coordenador do Centro de Pesquisa em Virologia da Faculdade de Medicina da USP, explica que a manipulação de vírus em um laboratório NB-3 é necessária para garantir a segurança durante a pesquisa.
“”Para você fazer qualquer estudo, seja de vacina ou medicamento, você precisa ser capaz de propagar esse vírus de forma contida. Isso é feito com segurança no NB-3″, afirma Lamberti.”
As exigências técnicas para um laboratório NB-3 incluem infraestrutura de contenção física, sistema de ventilação com pressão negativa, gestão de resíduos e procedimentos rigorosos para a equipe. A Resolução Normativa nº 18 do CTNBio estabelece que o acesso ao laboratório deve ser controlado e que a manipulação de materiais de risco deve ocorrer em cabines de segurança biológica.
O furto de amostras de vírus da Unicamp, incluindo H1N1 e H3N2, representa uma violação clara das normas de transporte, que exigem autorização expressa e embalagens específicas. Lamberti destaca que a complexidade das normas torna quase impossível que pessoas sem conhecimento técnico realizem tais ações.
“”É quase impossível uma pessoa de fora fazer isso. Não é tão fácil. Era preciso ter acesso, saber exatamente onde estava e pegar. E transportar corretamente, com gelo seco”, ressalta Lamberti.”


