O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 contratou mais de 19 GW de potência, principalmente de usinas termelétricas, garantindo a segurança do sistema elétrico em um cenário de crescente dependência de fontes intermitentes.
No entanto, essa decisão pode resultar em contas de luz mais altas nos próximos anos. O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu não interferir no leilão, apesar de apontar fragilidades na modelagem, considerando que o risco de desabastecimento era elevado demais para adiar o certame.
Os consumidores devem arcar com mais de meio trilhão de reais ao longo dos contratos, com um custo anual fixo estimado em R$ 39 bilhões, segundo dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Entidades como a Frente Nacional de Consumidores de Energia e a Abrace estimam um impacto de até 10% na conta de luz.
““O volume contratado é elevado e vai representar um custo significativo para os consumidores”, afirmou Luiz Eduardo Barata, ex-diretor da Aneel.”
A crítica ao modelo do leilão é antiga, mas ganha força agora. A contratação foi concentrada em térmicas, enquanto outras tecnologias, como baterias, ainda aguardam a modelagem prometida. Jerson Kelman, ex-diretor da Aneel, destacou que o leilão poderia ter sido melhor concebido.
““O leilão poderia ter sido melhor concebido em pelo menos três dimensões”, disse Kelman.”
Ele argumentou que a separação de térmicas e hidrelétricas limitou a competição, favorecendo diferentes fontes em vez de buscar a solução mais eficiente. O governo, por sua vez, celebrou o leilão, com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chamando-o de “o maior leilão de térmicas da história”.
Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel, criticou a abordagem do governo, comparando-a a comprar passagem aérea quando o voo já está lotado. Ele enfatizou que a espera pelo déficit de potência transferiu o poder de negociação para os geradores, resultando em preços mais altos.
““O governo quis comprar comida quando já estava a morrer de fome”, escreveu Santana.”
Outro efeito colateral do leilão é o possível esvaziamento do futuro leilão de armazenamento. Markus Vlasits, presidente da Absae, alertou que a contratação de mais de 12 GW de térmicas pode reduzir o espaço para sistemas de baterias no país.
O Ministério de Minas e Energia afirmou que os leilões são complementares e que a contratação de térmicas não diminui a necessidade de armazenamento. No entanto, o mercado parece cético quanto a essa afirmação.
Em resumo, o leilão garantiu a segurança do fornecimento de energia, mas levantou questões sobre a eficiência e os custos associados, que agora estão contratados.


