O primeiro leilão de transmissão de energia de 2026 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) ocorrerá nesta sexta-feira (28), na sede da B3, em São Paulo. O evento deve atrair investimentos da ordem de R$ 3,3 bilhões.
O certame oferecerá cinco lotes voltados à construção e manutenção de empreendimentos que totalizam 798 quilômetros de linhas de transmissão e 1.950 megavolt-ampères (MVA) em capacidade de transformação. Também está prevista a instalação de compensadores síncronos. A expectativa é que os empreendimentos gerem cerca de 8,4 mil empregos durante a fase de implantação.
Os projetos estão distribuídos por 11 estados: Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo. Os prazos de conclusão dos lotes variam entre 42 e 60 meses.
Rogério Pereira de Camargo, engenheiro e consultor da Roca Consultoria, comentou sobre as características do leilão que podem influenciar o perfil dos participantes.
““O lote 1 agrupa ativos que chegaram ao fim do prazo de concessão, com novos projetos a serem construídos. Essa configuração estratégica deve elevar a barreira de entrada, restringindo a participação de players de menor porte voltados exclusivamente para operação e manutenção”,”
afirmou Camargo.
O especialista também destacou que o leilão reforça a estratégia de expansão da confiabilidade do sistema elétrico, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
““Estão previstas instalações de compensadores síncronos no Pará, Rio Grande do Norte e Ceará. Esses equipamentos são fundamentais para garantir a estabilidade do sistema e mitigar oscilações em áreas de grande fluxo energético”,”
disse.
Além disso, os demais lotes devem contribuir para ampliar a capacidade de transmissão e atender à crescente demanda por energia em diferentes pólos regionais. Entre os “players” tradicionais, são esperadas empresas como Áxia (antiga Eletrobras), Alupar e fundos ligados ao BTG. A colombiana Isa deve ficar de fora, pois está tentando controlar níveis de alavancagem em um ciclo de grandes investimentos de leilões passados.

