A leitura do parecer do relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Nacional), deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), teve início nesta sexta-feira (27) marcada por confusão e desentendimentos entre parlamentares da oposição e da base governista.
No início da sessão, durante a fase de agradecimentos, Gaspar e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protagonizaram um bate-boca com trocas de insultos. O conflito começou quando Lindbergh questionou declarações de Gaspar, que havia lido uma fala do então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, de março de 2018, onde Barroso se referiu ao ministro Gilmar Mendes de forma pejorativa.
Gaspar descreveu a declaração como uma “poesia”. Em resposta, Lindbergh ironizou: “Isso é um circo ou um relatório? Cadê o relatório?”. Gaspar, por sua vez, respondeu: “Deputado Lindinho, não estamos falando de Odebrecht, calma”. O clima esquentou quando Lindbergh chamou Gaspar de “estuprador”.
Gaspar reagiu afirmando: “Olha, me chamou de estuprador. Eu estuprei corruptos como Vossa Excelência, que roubam o Brasil. Ladrão, corrupto!”. O relator também se referiu a Lindbergh como “bandido, criminoso e cafetão”.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), considerou a declaração de Lindbergh “grave” e ameaçou retirá-lo da sala da CPMI, afirmando: “Isso vai ficar para o Conselho de Ética”. Viana pediu respeito e retomou a palavra para Gaspar, sem que Lindbergh fosse obrigado a sair da sala.
A CPMI foi instalada em 20 de agosto e tem prazo de funcionamento até sábado (28). O relatório de Gaspar possui cerca de 4.340 páginas, dividido em nove núcleos de investigação, abrangendo empresários, intermediários, servidores e entidades.


