A líder do principal partido de oposição de Taiwan, Cheng Li-wun, aceitou um convite do presidente Xi Jinping para visitar a China em abril. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 30, pelo Kuomintang (KMT) e pela imprensa estatal chinesa.
A visita está agendada para ocorrer entre os dias 7 e 12 de abril, embora não tenham sido divulgadas as cidades que serão visitadas ou se haverá uma reunião com Xi. O KMT, que defende relações mais próximas com a China continental, afirmou que Cheng “aceitou de bom grado” o convite para liderar a delegação.
O partido expressou a esperança de que as partes possam unir esforços para promover o desenvolvimento pacífico das relações através do Estreito de Taiwan. Cheng também destacou a importância de trabalhar pela paz e pelo bem-estar das populações de ambos os lados.
Cheng Li-wun, que assumiu a presidência do KMT após vencer as eleições em outubro do ano passado, manifestou publicamente o desejo de se encontrar com Xi antes de realizar uma visita oficial aos Estados Unidos. Essa atitude gerou críticas dentro e fora do partido, sendo considerada excessivamente pró-China.
Há preocupações dentro do KMT de que uma cúpula com o líder chinês possa provocar uma reação negativa dos eleitores nas eleições distritais de Taiwan, que ocorrerão no final deste ano. Enquanto isso, Xi Jinping se recusa a dialogar com o governo do presidente taiwanês, Lai Ching-te, que é visto por Pequim como um “separatista”.
Embora altos funcionários do KMT frequentemente visitem a China, a ida de Cheng marcará a primeira visita de um presidente do partido em exercício desde 2016, quando Hung Hsiu-chu se encontrou com Xi. Após o anúncio da visita, o Partido Democrático Progressista (DPP) de Lai acusou Cheng de estar a serviço da China ao tentar obstruir o plano de gastos com defesa do governo.
O governo de Lai busca a aprovação do Parlamento de Taiwan, que tem maioria oposicionista, para um orçamento adicional de US$ 40 bilhões para o setor militar. O KMT, embora afirme apoiar o fortalecimento das defesas da ilha, se recusa a assinar o que considera “cheques em branco” e busca mais detalhes do governo sobre o orçamento.
Na semana passada, Cheng declarou à imprensa estrangeira que um possível diálogo com Xi teria um “significado simbólico significativo” e poderia servir como uma “base” para relações pacíficas entre os dois lados do Estreito de Taiwan. “Não acredito que uma única reunião possa resolver todas as questões que se acumulam há quase um século”, disse Cheng. “Mas espero poder construir essa ponte com sucesso.” Sua visita à China ocorrerá um mês antes da chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, prevista para meados de maio.


