O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi aconselhado por membros do Partido dos Trabalhadores a enviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, mesmo sem a certeza de votos suficientes para sua confirmação como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Messias foi indicado em novembro de 2025 para suceder Luís Roberto Barroso, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não agendou a sabatina do indicado. Sem a garantia de obter os 41 votos necessários para a aprovação, o Palácio do Planalto optou por adiar a apresentação da documentação ao Legislativo.
O conselho recebido por Lula considera que, em ano eleitoral e com o presidente tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em simulações de segundo turno, seria arriscado formalizar a indicação de Messias próximo às eleições, quando os senadores estarão focados em suas campanhas.
Interlocutores alertaram que, nesse cenário, poderia não haver quórum suficiente para a realização da sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o indicado seria questionado pelos parlamentares. Além disso, caso Lula não tenha sucesso nas urnas, a indicação de Messias poderia ser facilmente ignorada, quebrando a tradição de aprovação de indicados à Suprema Corte pelo Senado.
A última rejeição de um indicado ao STF ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.
A avaliação dos petistas também leva em conta a indicação dos desembargadores Messod Azulay Neto e Paulo Sérgio Domingues ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em agosto de 2022. Naquele momento, aliados de Lula sugeriram que o Senado não sabatinasse os indicados, aguardando o novo governo, mas essa estratégia não foi implementada e ambos tornaram-se ministros do STJ.
Outro argumento para a sugestão de enviar o nome de Messias ao Senado é a expectativa de que, uma vez formalizada a indicação, os ministros do STF poderiam intervir para convencer os senadores a aprovar o nome do advogado-geral. Entre os atuais membros da Corte, Alexandre de Moraes e Flávio Dino são considerados contrários à escolha de Messias, enquanto André Mendonça, Kassio Nunes Marques e o decano Gilmar Mendes já conversaram com parlamentares em favor da aprovação.
Desde que assumiu seu primeiro mandato em 2003, Lula já indicou 11 ministros para o Supremo Tribunal Federal.


