O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou na noite de sexta-feira (20) para a Colômbia, onde participará da cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). A reunião do bloco regional terá início no sábado (21) e reunirá chefes de Estado e de governo de países da América Latina e do Caribe.
A comitiva brasileira contará com ministros e empresários. A cúpula de chefes de Estado, que é o momento alto da Celac, está agendada para a tarde de sábado (21). O presidente colombiano, Gustavo Petro, receberá Lula e outras autoridades, incluindo o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, além de cerca de 20 chanceleres da região.
Entre os pontos já negociados para a declaração final da cúpula está a reafirmação da América Latina e do Caribe como uma zona de paz. O texto também abordará o combate ao crime organizado, com foco na cooperação policial regional e no compartilhamento de informações de inteligência. A proposta visa evitar a associação automática entre crime organizado e terrorismo, priorizando estratégias como o rastreamento de fluxos financeiros ilícitos.
Recentemente, o presidente americano, Donald Trump, associou facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), a ameaças semelhantes a grupos terroristas. Trump afirmou que o governo americano considera a possibilidade de classificar esses grupos como atividades terroristas.
Fontes do Palácio do Planalto indicam que o governo brasileiro vê a Celac como um instrumento de proteção contra a pressão dos Estados Unidos na região. Lula pretende discutir essa avaliação com outros líderes, buscando fortalecer a articulação regional e ampliar a autonomia frente às demandas de Trump.
A estratégia é reforçar o papel da Celac para que a América Latina atue de forma mais integrada, deixando de ser tratada como uma área de influência dos Estados Unidos. A programação deste ano inclui um Fórum de Alto Nível entre a Celac e o continente africano, com o objetivo de aumentar a cooperação entre nações do chamado “Sul-Sul”, focando em reparação histórica, ampliação do comércio e fortalecimento de consensos diplomáticos.
A América Latina e o Caribe reúnem 33 países e cerca de 650 milhões de habitantes. A região é capaz de produzir alimentos suficientes para abastecer três vezes sua população e responde por cerca de 1/4 das exportações globais, consolidando-se como uma potência agroalimentar. No setor energético, possui uma das matrizes mais limpas do mundo, com cerca de 33% de fontes renováveis, a maior parte localizada no Brasil.
O Brasil mantém um fluxo comercial de cerca de US$ 100 bilhões com os países latino-americanos e caribenhos, que absorvem 40% das exportações brasileiras de produtos manufaturados. O governo Lula defende o fortalecimento das trocas comerciais com os países vizinhos.
O embaixador Carlos Duarte destacou que o diálogo entre a América Latina e o continente africano é uma das prioridades da presidência colombiana da Celac. A iniciativa está estruturada em três eixos: cooperação Sul-Sul, reparação histórica e justiça étnico-racial, e comércio e investimentos. O comércio entre o Brasil e países africanos gira em torno de US$ 24 bilhões.
Nos últimos anos, iniciativas como a Conferência da Diáspora Africana, em Salvador, e a participação de Lula na União Africana, em 2024, reforçaram a aproximação entre o Brasil e o continente africano.
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos é um bloco que reúne 33 países da América Latina e do Caribe, promovendo a integração regional, o diálogo político e a cooperação em áreas como economia, meio ambiente e desenvolvimento social. A presidência do grupo é rotativa e atualmente está com a Colômbia, sob a liderança de Gustavo Petro.


