O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, na segunda-feira (30), uma lei que autoriza a criação de 17,8 mil novos cargos públicos. O impacto orçamentário estimado é de R$ 5,3 bilhões em 2026.
O economista Fábio Murad, sócio-fundador da Ipê Avaliações, afirmou que este não é o momento adequado para uma expansão estrutural de despesas. Ele destacou que o Brasil ainda enfrenta desafios relevantes na área fiscal, como dívida elevada, necessidade de controle de gastos e manutenção da credibilidade perante investidores.
O ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon, também criticou a decisão. Ele enfatizou que o cenário atual exige eficiência e redução de despesas, e não ampliação. “A gente está vivendo num momento onde temos forçosamente que apontar nossas atenções políticas para questionar e resolver a questão do déficit público”, disse.
Volpon questionou a criação de novos cargos em um momento em que o Brasil enfrenta uma queda de natalidade, sugerindo que o foco deveria ser na qualidade do serviço prestado pelos servidores já existentes. “Deveríamos estar criando mais cargos no setor de educação, quando o Brasil está enfrentando um quadro demográfico de queda de natalidade?”, indagou.
Aumento de gastos dessa forma eleva a incerteza econômica e dificulta o planejamento de longo prazo, o que pode afetar os investimentos. “Há um aumento na percepção de risco do Brasil perante investidores, tanto nacionais quanto internacionais”, explicou Murad. Ele alertou que isso pode encarecer o crédito, travar investimentos produtivos e reduzir o crescimento econômico.
Para os investidores, essa mudança aparentemente pontual pode ter efeitos mais amplos, como a redução da previsibilidade e maior dificuldade para construir patrimônio de forma consistente.

