Março Amarelo traz à tona a endometriose, uma doença inflamatória crônica que pode causar dores na região pélvica e infertilidade. O Ministério da Saúde estima que a condição atinge entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, que vai da menarca, entre 10 e 14 anos, até a menopausa, entre 45 e 55 anos.
Segundo Sérgio Podgaec, professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e médico assistente da Clínica Ginecológica e do setor de Endometriose do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, “endometriose é uma doença que acomete uma de cada dez mulheres no período da vida em que a mulher menstrua. Ela acontece quando o tecido que fica dentro do útero, que se chama endométrio, aparece fora do útero”.
Existem teorias que tentam identificar a causa da endometriose, incluindo a Teoria de Sampson, que sugere que a menstruação retrógrada, onde o sangue menstrual retorna pelas tubas uterinas e atinge a cavidade pélvica, pode ser um fator. “Sampson percebeu que, quando tem a menstruação, o fluxo menstrual vai embora, sai do útero pela vagina. Porém, ele também retorna pelas trompas uterinas para dentro da cavidade abdominal”, explica Podgaec.
Embora o refluxo menstrual seja comum, apenas uma em cada dez mulheres desenvolve endometriose. Outras causas podem incluir alterações imunológicas, inflamatórias, hormonais e características genéticas. A campanha de conscientização sobre a endometriose ocorre durante todo o mês de março, com o objetivo de ajudar as pessoas que menstruam a identificarem sintomas e a se informarem sobre prevenção e diagnóstico.
Os principais sintomas incluem dores na região pélvica e infertilidade. “A dor pode se manifestar de algumas formas. A primeira é dor em cólica menstrual no período menstrual. A segunda é dor, também na região pélvica, mas fora do período menstrual. Pode surgir também durante a relação sexual, no fundo vaginal, e também pode aparecer quando a paciente vai evacuar ou urinar no período menstrual”, detalha o professor.
Os tratamentos para endometriose variam e incluem a administração de hormônios, reprodução assistida e cirurgias. “Basicamente, a endometriose pode ser tratada com hormônios. Pílulas anticoncepcionais, um DIU medicado com hormônio, os anticoncepcionais de diferentes tipos podem ser um tratamento para a dor das mulheres que têm endometriose”, afirma Podgaec.
Para aquelas que desejam engravidar, os tratamentos hormonais não são indicados. Técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, podem ser uma opção. Além disso, atividades físicas e suporte multidisciplinar, incluindo fisioterapia pélvica e apoio psicológico, podem ajudar a aliviar os sintomas.
Podgaec ressalta que a endometriose é benigna e não está associada ao desenvolvimento de câncer. “O aparecimento de tumores pela endometriose é muito infrequente e a gente não pode dizer isso de forma geral, são situações muito específicas e não comuns”, conclui.


