Michael Edward Miller e sua esposa, Soledad Palemeta Miller, são investigados pelo furto de vírus na Unicamp. A Polícia Federal (PF) informou que registros de câmeras de segurança mostram Michael saindo do laboratório com caixas, coincidentemente no momento em que as amostras desapareceram.
A Unicamp acionou a PF após identificar a ausência do material biológico e indicou Michael como principal suspeito. As imagens ainda não foram divulgadas, mas a PF confirmou que elas passarão por perícia. “Ele é apontado como possível coautor no crime, mas isso ainda está sob investigação”, afirmou André Almeida de Azevedo Ribeiro, delegado-chefe da PF em Campinas (SP).
Soledad, que é pesquisadora, foi presa e responderá em liberdade por colocar a saúde pública em risco e pelo transporte não autorizado de material geneticamente modificado. O material furtado foi encontrado em diferentes laboratórios da Unicamp, armazenado e descartado fora dos locais autorizados, incluindo lixeiras.
Entre os vírus levados estavam H1N1 e H3N2, além de outros vírus humanos e suínos. A PF afirmou que todas as amostras foram recuperadas e que não houve contaminação externa, descartando a possibilidade de terrorismo biológico.
O furto foi percebido em 13 de fevereiro, quando uma pesquisadora notou o desaparecimento das caixas do laboratório de virologia, que possui nível 3 de biossegurança (NB-3). Em 23 de março, a PF encontrou o material furtado em laboratórios onde Soledad não tinha autorização de acesso.
Durante as buscas, a PF foi informada que Soledad havia ido ao Centro Médico com Michael, após ficar nervosa com a investigação. Ela foi presa em flagrante e, após audiência de custódia, recebeu liberdade provisória, com a obrigação de comparecer mensalmente à Justiça e pagar fiança de dois salários-mínimos.
Soledad está proibida de deixar Campinas por mais de cinco dias e de acessar os laboratórios envolvidos na investigação.

