A família do mecânico Jair Maciel de Sales Júnior, de 28 anos, tenta trazê-lo de volta ao Acre após meses internado em hospitais de Portugal. Ele foi diagnosticado com um aneurisma dissecante da aorta no final do ano passado.
Até o dia 28 de março, Jair seguia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Centro Hospitalar Universitário de Santo António, após ser transferido do Hospital Universitário de São João em Porto. Sua irmã, Ana Clara de Lima Queiroz, confirmou que ele ficou cerca de três meses no Hospital São João antes da transferência.
O Itamaraty informou que presta assistência consular, incluindo orientação jurídica. No entanto, a família alega não ter recebido apoio adequado. Em resposta a um e-mail enviado por Fernanda Lima Queiroz, o Consulado do Brasil no Porto afirmou que não é competente para tratar da questão.
“”Apenas uma advogada do consulado que ligou para enviarmos um e-mail ao hospital São João e gerar provas”, complementou.”
O quadro de saúde de Jair é considerado estável, mas ainda delicado. Ele sente dores intensas e faz uso diário de morfina. Sem familiares no país, está sob os cuidados de amigos.
“”Meu irmão está enfrentando uma situação de saúde muito grave. O que mais dói é a sensação de negligência e de não saber se ele está recebendo o cuidado que realmente precisa”, disse Ana Clara.”
O caso começou em 20 de dezembro, quando Jair passou mal e foi internado na UTI, onde recebeu o diagnóstico de dissecção da aorta. A cirurgia necessária foi adiada várias vezes, inicialmente por falta de equipamento e depois por questões de estabilização da pressão arterial.
Jair viajou para Portugal no dia 4 de novembro do ano passado, sozinho, para visitar amigos. A família relatou que tudo estava normal até o dia 20 de dezembro, quando recebeu a notícia de sua internação.
Sem respostas do Hospital São João, a família está fazendo campanhas para custear despesas e pedindo apoio das autoridades brasileiras. A mãe de Jair, enfermeira, viajará para Portugal no dia 3 de abril em busca de respostas.
A situação é complicada pela condição migratória de Jair, que entrou em Portugal como turista e ultrapassou o prazo de permanência de 90 dias. A irmã também mencionou tentativas frustradas de encaminhamento para a Alemanha e Suíça para a cirurgia.
Os irmãos de Jair são portadores da síndrome de Marfan, que pode estar relacionada ao aneurisma. Ana Clara afirmou: “Provavelmente, esse aneurisma tem a ver com a síndrome que veio da família da minha mãe.”


