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Peça ‘Medeia depois do Sol’ aborda violência de gênero e maternidade

Amanda Rocha
Última atualização: 6 de março de 2026 16:48
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.
Peça 'Medeia depois do Sol' aborda violência de gênero e maternidade

A peça ‘Medeia depois do Sol’, escrita pela dramaturga Luciana Lyra, estreia nesta sexta-feira (6) no Sesc Ipiranga, em São Paulo. A obra explora temas como maternidade, violência de gênero e a exploração da natureza, inspirando-se na clássica tragédia grega ‘Medeia’, de Eurípedes.

A montagem entra em cartaz próxima ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. A trama investiga Medeia como um símbolo da maternidade em seu limite e como uma figura sobrevivente de um grande trauma. Luciana Lyra atua sob a máscara da personagem-título ao lado da atriz-musicista Lisi Andrade.

A dramaturga propõe uma ligação entre mulher e natureza, um conceito que ela descreve como ecofeminismo. “A ideia é discutir a paridade entre o corpo da mulher e o corpo da Terra, na questão de que ambos são constantemente violados”, explica Luciana.

A equipe de criação da peça é composta quase exclusivamente por mulheres. A direção é de Ana Cecília Costa e Kátia Daher, enquanto a trilha sonora conta com músicas originais de Alessandra Leão e Luciana Lyra. A equipe inclui também Leusa Araujo (dramaturgismo), Renata Camargo (direção de gesto e movimento), Carol Badra (figurino) e Camila Jordão (cenografia e iluminação), com direção de produção de Franz Magnum.

A história de Medeia narra a trajetória da amante de Jasão, que, após ser rejeitada, decide matar os próprios filhos para infligir a mesma dor que sofreu. “A história de Medeia é uma narrativa mítica ligada à transição de mundo matriarcal para um patriarcal”, afirma Luciana. Ao contrário de outras tragédias gregas, Medeia sobrevive e foge com a ajuda do deus-sol Hélios, seu avô.

Luciana Lyra se inspirou na pergunta sobre o destino de Medeia após sua fuga para escrever a peça. Durante o processo de pesquisa, a dramaturga realizou workshops com grupos de teatro em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, onde as mulheres compartilhavam experiências pessoais sobre a personagem.

As conversas revelaram opressões relacionadas à maternidade, como a maternidade compulsória e a negação da própria maternidade. A dramaturga também se conectou com a comunidade de Tejucupapo, em Pernambuco, conhecida por seu histórico de mulheres guerreiras, e ouviu relatos de uma mulher que matou seus filhos para que não vivessem em condições precárias.

O espetáculo ‘Medeia depois do Sol’ está em cartaz no Sesc Ipiranga de 6 a 29 de março, com exibições às 21h30 nas sextas-feiras e às 18h30 nos sábados e domingos. A peça tem duração de 60 minutos, com ingressos variando de R$ 15 a R$ 50. O Sesc Ipiranga está localizado na Rua Bom Pastor, 822, no Ipiranga, em São Paulo.

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