Médicos terceirizados que atuam na rede municipal de saúde de Sorocaba (SP) denunciam atrasos nos salários desde janeiro de 2026. A situação afeta cerca de 300 profissionais contratados como pessoa jurídica (PJ), que trabalham em unidades de emergência e UBSs da cidade.
A prefeitura confirmou que uma empresa atrasou os pagamentos e que já notificou a instituição para regularização. Relatos indicam que há médicos sem receber há dois ou até três meses.
““Isso reflete a falta de compromisso das empresas que prestam serviço à prefeitura e da secretaria de saúde a esses profissionais que trabalham nas unidades de saúde. […] É um descaso com os profissionais e com a população”, afirma um profissional, que preferiu não se identificar.”
Outra profissional da rede afirmou: “Todos os pagamentos dos médicos PJ contratados pela prefeitura estão em atraso. Mas ao final, o maior responsável por essa situação é a prefeitura que dá preferência a esse tipo de vínculo e contrata empresas de fora sem compromisso nenhum com Sorocaba”.
Por serem contratados como PJ, os médicos enfrentam limitações na atuação do sindicato. Eduardo Luís Cruells Vieira, presidente do Sindicato dos Médicos de Sorocaba e Região (Simesul), explicou que “o sindicato pode atuar, mas algumas ferramentas que podem ser usadas quando o funcionário é CLT ficam restritas por ser um contrato entre empresas. Mas de fato acabam prejudicando sempre o trabalhador que fica privado de seus direitos”.
Ele acrescentou: “Em última instância são as empresas que estão deixando de pagar. A prefeitura não contrata diretamente nenhum médico. São as empresas terceirizadas que contratam. E às vezes acontece de essas empresas terceirizadas contratarem outra empresa para gerenciar as escalas”.
Uma das entidades que estariam atrasando os pagamentos é a Associação de Benemerência Senhor Bom Jesus. O portal entrou em contato com a instituição para saber quando a situação será regularizada, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. Outra entidade, a MedCal, teve o atraso confirmado pela Secretaria da Saúde (SES), que informou que só efetua o repasse após comprovação do pagamento dos médicos, conforme contrato vigente.
““A SES está notificando a empresa e advertindo que a não regularização poderá ensejar em penalidade administrativa cabível”, afirmou a secretaria.”
Ninguém da empresa foi encontrado para comentar a situação.

