O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu devolver ao Congresso Nacional a discussão sobre a prorrogação da CPMI do INSS. A medida acirra a tensão entre os poderes e evidencia o jogo político em torno da investigação.
A analista de Política, Clarissa Oliveira, comentou que a decisão representa uma devolução da ‘briga’ ao Legislativo, especialmente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. ‘O que o ministro André Mendonça fez foi levar a criança para o colo dos pais’, afirmou a analista, destacando que a judicialização da disputa sobre a prorrogação intensificou o ambiente político no Legislativo.
Clarissa Oliveira ressaltou que o movimento de Alcolumbre em relação à CPMI tem motivações políticas claras, influenciadas pelo Palácio do Planalto e por outras forças que não desejam ver a investigação prosperar. Nos bastidores do Congresso, o melhor cenário para os parlamentares seria uma prorrogação apenas pelo tempo necessário para concluir as negociações do relatório final, sem aprofundar mais a investigação.
Alcolumbre pediu um parecer jurídico antes de se manifestar sobre a CPMI do INSS. O Palácio do Planalto avalia que a prorrogação da CPMI amplia os riscos políticos para o presidente Lula. A CPMI, que foi criada para investigar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social, acabou desviando seu foco, principalmente para o caso Master.
A analista observou que há um evidente desvio do foco da comissão, que parece ter como objetivo dar palco para um jogo eleitoral. Muitos dos envolvidos na dinâmica da CPMI têm interesses relacionados às eleições deste ano.
A posição da cúpula da CPMI foi significativamente enfraquecida por acontecimentos recentes. ‘Uma comissão criada para investigar desvio em aposentadorias teve como maior realização nas últimas semanas a suspeita de que seus integrantes teriam vazado informações das conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com a namorada dele’, lembrou Clarissa.
Além disso, as discussões sobre o desvio de aposentadorias e pensões acabaram se concentrando na menção ao filho de Lula, Fábio Luiz Lula da Silva, que até o momento não era alvo direto das investigações. Embora os parlamentares envolvidos na CPMI desejem continuar com os trabalhos e tenham obtido uma vitória importante com a decisão de André Mendonça, ainda não está claro se a investigação prosperará.
Como observou Clarissa Oliveira, a questão agora vai para o plenário físico para discussão, e resta saber se o Supremo dará perenidade à comissão ou se apenas concedeu tempo para que o próprio Congresso resolva sua disputa interna.


