A perícia realizada no celular da policial militar Gisele Alves Santana foi concluída em 25 de março de 2026 e revelou mensagens em que a agente questiona o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto sobre uma suposta traição. Gisele escreveu: ‘Quero me separar. Vou ser ex, não corna’.
Os registros digitais, incluindo interações e histórico do dispositivo, ajudam a traçar um padrão de comportamento anterior ao crime. As mensagens indicam uma escalada de discussões nos dias que antecederam a morte da soldado. Gisele afirmou: ‘Você sabe que a informação sobre a traição tomou uma proporção grande, todo mundo falou. O que me doeu foi você não ter me contado o que estava fazendo. Quando te perguntei, você mentiu’.
A análise também recuperou uma mensagem em que Gisele expressa que não conseguiria superar a traição e que a separação seria o caminho, pois não confiava mais no companheiro. A perícia identificou indícios de uma possível ‘limpeza digital’ no celular logo após o disparo que matou a policial.
O laudo anexado ao processo mostra que o telefone foi acessado enquanto a vítima ainda estava viva e aguardava socorro. A perícia aponta manipulação de informações no aparelho, com registros que sugerem a exclusão de conteúdos. Para a polícia, esse comportamento levanta a hipótese de tentativa de controle da narrativa por meio da alteração de provas digitais.
As mensagens apagadas foram trocadas entre o casal no dia anterior ao crime. Segundo a polícia, Gisele afirmava que queria se separar, o que contraria a versão do tenente-coronel, que alegava ser ele quem pedia o divórcio. Essa situação está relacionada a uma das principais suspeitas do inquérito, que investiga se o celular da vítima foi utilizado para sustentar a versão inicial apresentada pelo marido, que afirmou se tratar de suicídio.
A análise sugere que o aparelho não era apenas um meio de comunicação, mas também um possível instrumento de monitoramento indireto da vítima. Gisele relatava que o marido monitorava suas redes sociais e que teria apagado perfis masculinos de suas contas. Ela também mencionou que o companheiro queria que ela pedisse baixa da corporação, informação confirmada por uma amiga da vítima em depoimento.
Investigadores afirmam que a eventual manipulação de dados digitais pode configurar tentativa de fraude processual e reforçar a tese de feminicídio, indicando não apenas a violência física, mas também uma possível ação posterior para encobrir o crime. A defesa do tenente-coronel informou que Geraldo se manifestará apenas nos autos.

