Milhares de pessoas se manifestaram na Alemanha em apoio à atriz Collien Fernandes, que acusou seu ex-marido, Christian Ulmen, de divulgar vídeos pornográficos falsos dela, gerados por inteligência artificial. A denúncia de Fernandes impulsionou uma onda do movimento #MeToo no país, centrada no abuso online.
Os atos ocorreram em diversas cidades, organizados em grande parte pelo coletivo Vulver, que destacou as “lacunas gritantes” na proteção jurídica das mulheres na internet. A Alemanha já estava preparando um projeto de lei sobre a divulgação de vídeos falsos gerados com IA, mas uma investigação da revista Spiegel sobre o caso evidenciou a urgência de regular essas práticas.
Collien Fernandes, de 44 anos, afirmou que foi abusada virtualmente por seu ex-marido durante mais de dez anos. “Ele me oferecia a outros homens para ter relações sexuais. Durante anos procurei o responsável, inclusive em um documentário. Nunca teria suspeitado do meu marido”, declarou.
“”Infelizmente, as vítimas não estão atualmente protegidas de maneira adequada do abuso digital”, afirmou Fernandes, ressaltando que seu caso ilustra a gravidade da violência digital.”
O Ministério Público alemão anunciou que está investigando Christian Ulmen com base nas informações apresentadas por Fernandes. Uma denúncia anterior havia sido arquivada em 2024 por falta de pistas. A atriz também apresentou uma queixa na Espanha, onde a legislação sobre violência contra as mulheres é mais rigorosa.
No dia 26 de março, 17.000 manifestantes se reuniram em Hamburgo para pressionar o governo por mais proteção às mulheres. Após receber ameaças de morte, Fernandes inicialmente hesitou em participar das mobilizações, mas acabou subindo ao palco, vestindo um colete à prova de balas.
“”Há homens, e apenas homens, que querem me matar”, afirmou a atriz, recebendo aplausos da multidão.”
A porta-voz da Juventude dos Verdes, Luna Sahling, destacou a importância de leis que sensibilizem as mulheres sobre a violência digital. O chefe de Governo alemão, Friedrich Merz, mencionou uma “explosão da violência na nossa sociedade”, mas gerou polêmica ao afirmar que uma parte considerável dessa violência vem de comunidades de imigrantes.
“”Uma mentira populista escandalosa”, reagiu Lydia Dietrich, diretora da associação feminista Frauenhilfe München, durante o ato em apoio a Fernandes.”

