Todo dia 24 de março se comemora o Dia Mundial da Tuberculose. Apesar disso, a data passa quase despercebida, pois muitos a consideram uma doença do passado. Contudo, a tuberculose continua sendo uma das principais causas de morte por infecção no mundo.
Estima-se que uma em cada quatro pessoas no planeta seja portadora da bactéria causadora da tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis. Na maioria dos casos, essa bactéria permanece adormecida, sem causar sintomas ou ser facilmente detectada. Essa condição é conhecida como infecção latente. No entanto, em situações em que o sistema imunológico está enfraquecido, a bactéria pode se ativar e provocar uma doença que afeta principalmente os pulmões.
Em 2021, foram registrados cerca de 9,4 milhões de novos casos de tuberculose e 1,35 milhão de mortes causadas pela doença. A incidência da tuberculose não é uniforme globalmente. Em países de renda alta, a doença tem diminuído nas últimas décadas, enquanto em regiões da África, Ásia e América Latina, a tuberculose continua sendo uma realidade cotidiana, impulsionada por fatores como pobreza e acesso limitado aos serviços de saúde.
Desde a década de 1990, a incidência e a mortalidade por tuberculose diminuíram globalmente, mas o ritmo de progresso é lento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu metas ambiciosas na estratégia “End TB”, mas entre 2015 e 2020, a incidência global de tuberculose diminuiu apenas 6,3% e a mortalidade, 11,9%. Se esse ritmo continuar, será difícil atingir as metas para 2035.
Além disso, o progresso tem sido desigual. Alguns países conseguiram avanços notáveis, mas esses casos são exceções. Dados mostram que os avanços têm sido mais rápidos em crianças, mas lentos em idosos, que têm maior risco de morte por tuberculose. A população mundial está envelhecendo rapidamente, e sem estratégias de controle, esse grupo pode se tornar um foco crescente da doença.
Fatores como tabagismo, consumo de álcool e diabetes aumentam o risco de desenvolver tuberculose. Estimativas sugerem que muitas mortes poderiam ser evitadas se esses fatores fossem reduzidos. O tratamento padrão da tuberculose é longo e complexo, e a falta de adesão pode levar ao surgimento de cepas resistentes, que são mais difíceis de tratar.
A tuberculose é uma doença que reflete desigualdades e a necessidade de uma abordagem integral que combine intervenções médicas e sociais. A prevenção, o diagnóstico e o tratamento são possíveis, mas a implementação equitativa desse conhecimento é o verdadeiro desafio.

