Um monitor de 60 anos de uma escola em Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, está sendo investigado pela Polícia Civil por suspeita de assédio a uma aluna por meio de mensagens de texto. O afastamento do homem ocorreu após a mãe da criança descobrir as conversas na quarta-feira, dia 11 de março de 2026, e procurar as autoridades.
A mãe encontrou mensagens de um número desconhecido ao monitorar o celular da filha. Nas mensagens, o monitor se referia à menina como “jabuticabinha”, afirmava que iria “abraçá-la bem forte”, demonstrava ciúmes de um colega e pedia para que as conversas fossem apagadas “pra mãe não ver e ficar braba”.
“”Ela mandou um áudio e falou: ‘eu sou fruta agora pra tá me chamando de jabuticabinha?’. E ele falou: ‘É uma fruta muito gostosinha, docinha'”, relatou a mãe.”
Após a descoberta, a mãe procurou a direção da escola no dia seguinte, 12 de março. A secretária de Educação de Torres, Rosa Lumertz, informou que o monitor foi imediatamente afastado de suas funções. A Polícia Civil investiga o caso como assédio com o fim de praticar ato sexual com a criança.
Na manhã de sexta-feira, 13 de março, agentes cumpriram mandados e recolheram um celular e um computador na casa do suspeito. A polícia informou que ele teria apagado as mensagens trocadas com a menina antes de entregar o telefone, que foi enviado para perícia na tentativa de recuperar o conteúdo.
O monitor prestou depoimento na delegacia e foi liberado. O delegado Marcos Veloso explicou que as provas atuais são insuficientes para configurar um crime:
“”As conversas são absolutamente inadequadas, porém, tais conversas ainda não podem ser configuradas como crime. A Polícia Civil trabalha para que a gente junte prova suficiente que enquadre o indivíduo em algum tipo penal previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente ou no nosso Código Penal”.”
A investigação continua com diligências, incluindo o depoimento especial da criança e a análise do material apreendido. O Conselho Tutelar está acompanhando a situação da família, que receberá atendimento psicológico. A mãe expressou sua dor:
“”Quando é um filho nosso, a dor é vinte vezes pior. É uma dor na alma, uma dor avassaladora. E se eu não tivesse descoberto? Até onde ele iria?””
A Secretaria Municipal de Educação informou que o caso é isolado e não condiz com as condutas da gestão. O monitor foi afastado e um processo administrativo foi instaurado. A administração municipal repudia qualquer conduta que viole os direitos de crianças e adolescentes e reafirma seu compromisso com a proteção e segurança dos alunos da rede municipal.


