Moradores de Aguiar, no Sertão da Paraíba, se manifestaram contra um relatório do Congresso dos Estados Unidos que alega que o Radiotelescópio BINGO, instalado na cidade, é uma base militar da China. Para a comunidade, o projeto representa o ‘reconhecimento da cidade e do Sertão’.
O coordenador do projeto, o físico Élcio Abdalla, já havia afirmado que a estrutura não é uma base militar e destacou seu caráter científico. O radiotelescópio tem como objetivo mapear energia e matéria escura no universo e envolve parcerias entre instituições do Brasil e da China, incluindo o CESTNCRI, a UFCG, a UFPB e o Governo da Paraíba.
“Além de trazer muita oportunidade e questão de emprego, está mudando a infraestrutura da cidade, está crescendo a questão do turismo”, afirmou Maisa Matias, estudante e moradora da região.
Edilene Lira, engenheira responsável pelas obras do BINGO, ressaltou que o empreendimento foi benéfico para sua carreira, permitindo que ela supervisionasse as obras mais perto de sua cidade natal, Carrapateira.
““Eu nunca imaginei que realmente a Engenharia Civil fosse me levar tão longe e também, ao mesmo tempo, ela me trazer para tão perto de casa para construir algo tão grandioso”, disse Edilene.”
O projeto BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations) visa detectar oscilações acústicas bariônicas por meio da observação de sinais em radiofrequência. Élcio Abdalla negou que haja ingerência chinesa nas decisões do projeto, afirmando que os pesquisadores chineses participam apenas em caráter científico.
““Não tem nada a ver com aplicação militar e os chineses estão nisso numa aplicação puramente científica”, afirmou Élcio Abdalla.”
O relatório do Congresso dos EUA, intitulado “Pulling Latin America Into China’s Orbit”, menciona instalações no Brasil, Argentina, Bolívia e Chile como suspeitas de uso duplo para inteligência militar. A Estação Terrestre de Tucano, na Bahia, foi citada como uma base militar chinesa não-oficial.
O corpo principal do radiotelescópio BINGO chegou ao Brasil em 10 de junho de 2025, após ser transportado do Porto de Tianjin, na China, para o Porto de Suape, em Pernambuco. O Governo da Paraíba estima um investimento de R$ 20 milhões no projeto.

