Moradores de Itapetininga (SP) participam da minissérie ‘Emergência Radioativa’, lançada recentemente por uma plataforma de streaming. A série é inspirada no maior acidente radiológico da história do Brasil, ocorrido em 1987, em Goiânia (GO).
A produção, que já é uma das mais assistidas no Brasil, teve parte das cenas gravadas no interior de São Paulo, em cidades como Sorocaba e Cabreúva. Além de servirem como cenário, esses municípios contribuíram com figurantes. O ator Paulo Carriel, de Itapetininga, faz parte do elenco de apoio.
Carriel foi inicialmente convidado para atuar como produtor de casting da série, função na qual levou mais de 100 pessoas para participar das gravações como figurantes. Ele explicou: “Eu tenho uma agência de atores e figuração em Itapetininga e trabalho como produtor de casting. Aí me chamaram, a princípio, para ajudar na figuração, porque as gravações seriam aqui na região”.
Durante o processo, Carriel recebeu um texto para teste de elenco de apoio, gravou duas cenas e foi selecionado. O diretor de casting, Aguinaldo Balisa, o incentivou a fazer o teste. “Ele me mandou uma mensagem dizendo: ‘Paulo, estou com um teste de elenco de apoio com fala, você não quer participar?'”.
A cena em que Carriel aparece se passa dentro de um ônibus, onde o personagem interpretado por Johnny Massaro tenta localizar o veículo que transportou o Césio-137. “Na minha cena, ele entra no ônibus e o aparelho começa a apitar bem alto quando se aproxima de mim. Aí eu olho para ele e digo: ‘Ei, que diabo é isso?'”.
O trabalho de seleção de figurantes começou meses antes das gravações, em março do ano passado. As filmagens duraram cerca de dois meses, mas a participação de Carriel ocorreu em apenas dois dias. “Foi uma experiência muito legal. Eu sou do teatro há mais de 30 anos e, mesmo assim, é diferente estar no set, dividir espaço com atores que a gente admira”.
Segundo Carriel, as gravações exigiram um esforço maior para reunir figurantes e elenco de apoio, já que muitos têm outros trabalhos. “Eram, em média, 300 figurantes por dia. Na cena do ônibus, começamos perto do estádio e seguimos até a região do Éden, em Sorocaba. Tudo foi pensado para recriar o cenário dos anos 1980”.
A aposentada Sueli Maria Lopes, de 72 anos, também participou da produção a convite de Carriel. “Ele comentou sobre a oportunidade de figuração, mas eu nem sabia que era para uma série. Fui e participei. Foram dois dias e uma noite de gravação. Foi muito gratificante”.
A jovem Amanda Cristina, moradora de Itapetininga, participou como figurante da sequência do ônibus. “Foi uma experiência muito especial poder acompanhar de perto toda a produção de uma série. A equipe foi extremamente cuidadosa com cada detalhe, principalmente porque a série se passa nos anos 80”.
A atriz de teatro Malu Terra também participou da cena no ônibus, a convite de Carriel. Ela destacou o clima de tensão durante as gravações, devido ao contexto da história. “Foram quatro dias de gravação muito especiais para mim, porque eu pude estar perto de pessoas que admiro”.
A minissérie ‘Emergência Radioativa’, que estreou na Netflix em 18 de março, retrata o acidente de 1987, quando catadores abriram um aparelho de radioterapia abandonado e espalharam material radioativo entre moradores. O acidente resultou em quatro mortes diretas e mais de 112.800 pessoas foram monitoradas.


