A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, nesta segunda-feira (23), marca o primeiro caso de feminicídio registrado na capital após mais de 650 dias sem ocorrências desse tipo.
O último registro de feminicídio em Vitória ocorreu em 8 de junho de 2024, quando um homem matou a própria filha com golpes de canivete. O prefeito Lorenzo Pazolini afirmou que o período sem feminicídios foi resultado de políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica e familiar, muitas delas coordenadas pela própria comandante.
““Nós temos lutado muito contra a violência doméstica familiar. A Dayse simbolizava isso e agora, simboliza eternamente”, disse o prefeito.”
Dayse foi morta com cinco tiros na cabeça pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira Souza, na casa onde morava com o pai e a filha de 8 anos, no bairro Caratoíra, em Vitória. Após o crime, Diego tirou a própria vida.
O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, indicou que há indícios de que o crime foi premeditado. Na mochila de Diego, a polícia encontrou um canivete, uma faca, um vidro de álcool, carregadores de munição, alicate e um isqueiro.
““A circunstância é que ele foi com o intuito de cometer o feminicídio”, afirmou Boni.”
O pai de Dayse, Carlos Roberto Teixeira, estava em casa no momento do crime e relatou que acordou ao ouvir o primeiro disparo. Ele descreveu a cena como caótica e disse que não teve tempo de reagir.
““No primeiro tiro eu já acordei. Abri a porta devagarzinho, olhei, vi ele correndo, mas não deu pra sair, fiquei com medo de tomar um tiro também”, contou Carlos.”
Dayse e Diego mantinham um relacionamento conturbado, com episódios de violência, mas ela nunca registrou denúncias formais sobre as agressões. O caso será investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifestou pesar pelo falecimento de Dayse e afirmou que está à disposição para colaborar com as investigações.
““A PRF lamenta profundamente as circunstâncias da ocorrência, ao mesmo tempo que reitera seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres”, diz a nota.”

