No Dia da Saúde e Nutrição, 31 de março, a discussão sobre a alimentação ganha nova dimensão. O almoço de domingo, que antes era um ritual de união familiar, vem sendo substituído por uma lógica alimentar mais técnica e controlada.
Atualmente, para muitos, comer deixou de ser um ato espontâneo e se tornou uma equação de calorias, proteínas e índices glicêmicos. O alimento é analisado e, em muitos casos, temido. O avanço de medicamentos como Mounjaro e Ozempic, que atuam nos mecanismos hormonais da fome, representa uma revolução no tratamento da obesidade, reduzindo o apetite de forma significativa.
Esses medicamentos têm mostrado resultados positivos, como a redução de peso e a melhora de parâmetros metabólicos. No entanto, essa transformação na relação com a comida não pode ser atribuída apenas aos remédios. A cultura alimentar já vinha se moldando a um modelo de controle, com dietas restritivas e uma crescente ansiedade em torno da alimentação.
O prazer associado à comida começou a ser reinterpretado, e comer por gosto passou a ser visto como um desvio do ideal de disciplina. Os novos medicamentos potencializam essa lógica, retirando o esforço do controle, mas também atenuando o prazer.
O conflito surge entre a necessidade de enfrentar a obesidade e a dimensão simbólica da alimentação. Comer é um ato cultural, presente em celebrações e memórias. Quando a alimentação se torna excessivamente técnica, corre-se o risco de perder essa camada significativa.
O futuro da alimentação não será apenas biológico. A possibilidade de controlar o apetite com precisão levanta questões sobre o que sustenta o ato de comer. Será a nutrição, o hábito ou ainda haverá espaço para o prazer? O desafio será ensinar a comer melhor sem perder o significado desse ato, que sempre foi mais do que uma necessidade fisiológica.
““Porque, no fim, a alimentação sempre foi mais do que uma necessidade fisiológica.””


