Sabriiny Fogaça Lopes, de 41 anos, foi aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos após ser obrigada a deixar a escola devido a discriminações e agressões físicas que sofreu de outros alunos.
Aos 15 anos, Sabriiny abandonou os estudos e enfrentou dificuldades no mercado de trabalho, atuando brevemente como cabeleireira. Motivada por amigos e pelo desejo de mudar sua história, ela decidiu retomar os estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
No Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, ela se sentiu acolhida e participou de projetos, como o Alunos Autores, que resultou na publicação de uma coletânea de contos. Sabriiny prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) duas vezes, sendo aprovada em ambas, e escolheu cursar Licenciatura em Educação Especial.
““Eu quero mostrar que nunca é tarde pra começar. Eu sei que vai ser difícil, uma mulher trans arrumar um emprego em uma escola. Vão ter barreiras para enfrentar, para dar aula, ensinar as pessoas, porque tem aquele olhar de preconceito. Mas eu vou continuar prosseguindo”, ressaltou.”
Atualmente, há cerca de 2,4 milhões de estudantes na EJA, com apenas 9% acessando o ensino superior no ano seguinte à conclusão do ensino médio. A EJA é uma modalidade destinada a jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso ou não concluíram os estudos.
Dados da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra) indicam que apenas 0,3% da população trans e travesti consegue acessar o ensino superior, e mais de 70% não completaram o ensino médio. A exclusão se deve à transfobia institucional e social, com baixíssimos índices de escolarização.
Atualmente, 38 universidades públicas no Brasil oferecem cotas para pessoas trans, e a Antra defende a necessidade de políticas de permanência para garantir que esses estudantes possam concluir seus estudos.

