A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, indica que o senador Flávio Bolsonaro está numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um possível segundo turno. Flávio tem 47,6% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 46,6%, configurando um empate técnico dentro da margem de erro de um ponto percentual.
No programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o colunista Mauro Paulino e o analista Yuri Sanches avaliaram que esse resultado possui forte peso simbólico e evidencia uma eleição marcada pela polarização e competitividade.
De acordo com Paulino, o crescimento de Flávio Bolsonaro está relacionado à transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ocorreu de forma mais intensa do que em experiências anteriores. “Essa transferência de votos nunca foi tão acentuada quanto a gente observa agora”, destacou.
A pesquisa também revela uma queda consistente nas intenções de voto de Lula, que passou de cerca de 53% em dezembro para 46,6% atualmente. Yuri Sanches apontou que fatores conjunturais e estruturais têm contribuído para esse recuo, afirmando que “o contexto de notícias para o governo, tanto nacional quanto externo, não tem sido favorável”.
Embora Flávio tenha uma vantagem numérica, os analistas consideram o cenário ainda aberto. “É um cenário que continua bastante disputado”, afirmou Yuri. Paulino acrescentou que a liderança de Flávio pode antecipar um descolamento nas próximas pesquisas, indicando que ele possui potencial para se consolidar fora da margem de erro.
A pesquisa também aponta que há uma base consistente de apoio ao senador, com cerca de 20% do eleitorado se declarando bolsonarista e 15% antipetista. O desafio, segundo Sanches, reside no eleitorado intermediário, que é menos engajado politicamente e pode decidir o resultado final.
Apesar do avanço, Flávio Bolsonaro enfrenta desafios significativos, como a falta de experiência no Executivo e a necessidade de se desvincular da imagem de dependência política do pai. Além disso, a pesquisa indica que o espaço para uma “terceira via” ou centro é reduzido, com diferentes nomes da oposição apresentando desempenho semelhante contra Lula.

