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Nvidia interrompe produção de chips para China devido a incertezas regulatórias

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de março de 2026 14:37
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A fabricante americana de chips Nvidia decidiu suspender a produção de semicondutores destinados ao mercado chinês. A decisão foi anunciada em 5 de março de 2026 e reflete a crescente incerteza regulatória na disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.

Segundo fontes consultadas, a empresa redirecionou sua capacidade de fabricação na Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) para produzir chips de nova geração da arquitetura Vera Rubin. A Nvidia abandonou temporariamente a fabricação do modelo H200, que havia sido desenvolvido para atender clientes chineses, devido a incertezas sobre autorizações de exportação em Washington e possíveis restrições de importação por parte de Pequim.

A decisão indica que a companhia não espera vendas relevantes do H200 para a China no curto prazo. Os Estados Unidos têm apertado o controle sobre a exportação de semicondutores avançados, considerados estratégicos para inteligência artificial, supercomputação e aplicações militares.

Nos últimos anos, medidas adotadas pelo governo americano, ampliadas durante a presidência de Donald Trump, restringiram a venda para a China de chips que sustentam sistemas avançados de IA. A Nvidia tentou adaptar sua oferta criando versões compatíveis com as regras americanas, como o H200, mas o processo de aprovação para exportação acabou travando.

Autoridades do Departamento de Estado dos EUA pressionaram por regras mais rígidas, temendo que o processador pudesse ser utilizado pela China de maneiras que comprometessem a segurança nacional americana. Ao mesmo tempo, Pequim sinalizou que pode limitar a compra desses produtos para proteger sua indústria doméstica de semicondutores.

De acordo com fontes do setor, a Nvidia já produziu cerca de 250 mil unidades do H200. Caso os governos americano e chinês autorizem apenas volumes reduzidos de importação, esse estoque existente poderia suprir a demanda por algum tempo, sem necessidade de nova produção imediata.

Em teleconferência recente com investidores, a diretora financeira da empresa, Colette Kress, afirmou que algumas vendas para clientes na China foram autorizadas em pequena escala, mas que a companhia ainda não registrou receitas com essas operações. A incerteza sobre novas remessas persiste.

Enquanto reduz a aposta no mercado chinês para essa linha de produtos, a Nvidia prioriza a produção do Vera Rubin, sua arquitetura mais recente de chips para inteligência artificial. Apresentada neste ano, a plataforma foi projetada para sistemas de IA mais complexos, em um momento em que a demanda global por capacidade de processamento cresce rapidamente.

Antes da paralisação, a Nvidia esperava encomendas superiores a 1 milhão de unidades do H200 por parte de clientes chineses. Fornecedores da cadeia de produção chegaram a trabalhar em ritmo acelerado para preparar entregas que poderiam começar ainda no primeiro trimestre.

A decisão da Nvidia ocorre em um momento em que semicondutores se tornaram o principal campo de disputa econômica e estratégica entre EUA e China. Washington busca impedir que Pequim tenha acesso a chips de última geração, essenciais para o avanço de tecnologias como inteligência artificial e sistemas militares.

Analistas do setor avaliam que a situação pode mudar dependendo da evolução das negociações diplomáticas entre os dois países. Um encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e Donald Trump está previsto para o fim de março, o que alimenta especulações sobre a possibilidade de algum acordo envolvendo controles de exportação de semicondutores.

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