O chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Volker Türk, advertiu nesta quarta-feira, 25, sobre o risco de uma “catástrofe sem precedentes” devido a ataques próximos a infraestruturas nucleares do Irã e de Israel. Nos últimos dias, foram registrados ataques com mísseis iranianos contra as cidades de Dimona e Arad, localizadas a quilômetros do centro de pesquisa nuclear de Israel, no deserto do Negev.
No sábado, 21, o principal complexo de enriquecimento nuclear de Teerã, em Natanz, foi atingido pelos Estados Unidos, conforme informou o governo iraniano. Israel negou qualquer participação no ataque. Türk ressaltou que “muitos dos ataques neste conflito suscitaram sérias preocupações e infringiram o direito internacional, que proíbe ataques contra civis e suas infraestruturas, bem como ataques contra alvos militares quando os danos aos civis forem desproporcionais”.
O chefe de direitos humanos da ONU também destacou as graves ramificações do conflito para outros países da região, incluindo Iraque e Síria, além do território palestino ocupado. “Os recentes ataques com mísseis perto de instalações nucleares em Israel e no Irã ressaltam o imenso perigo de uma escalada ainda maior. Os Estados estão flertando com uma catástrofe sem precedentes”, acrescentou.
Na segunda-feira, 23, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma pausa nos ataques aéreos a usinas e infraestruturas energéticas do Irã após “conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”. A continuidade dos ataques dependeria do “sucesso das reuniões e discussões em andamento”, segundo Trump. As tratativas foram negadas por Teerã.
A advertência da ONU ocorre em meio à entrega de um plano de 15 pontos para o fim da guerra no Oriente Médio, que foi desencadeada por ataques conjuntos dos EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro. Até o momento, o Irã negou qualquer negociação e acusou Trump de disseminar “fake news”.
Duas autoridades paquistanesas, que conversaram em condição de anonimato, afirmaram que o plano abrange o alívio das sanções a Teerã, a cooperação nuclear civil, a redução do programa nuclear iraniano, permissões à fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), limites para o arsenal de mísseis do Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos pelo planeta.
Três fontes do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também informaram que o governo do país foi notificado sobre a proposta. O plano incluiria a remoção dos estoques de urânio enriquecido do Irã, a proibição de mais enriquecimento do material capaz de produzir bombas atômicas, a restrição do programa de mísseis balísticos e o fim do financiamento para a rede de grupos armados que forma o chamado “eixo da resistência” do Irã no Oriente Médio.
Enquanto isso, uma autoridade iraniana confirmou o recebimento de uma proposta e, sem dar detalhes, afirmou que negociações poderiam ser sediadas na Turquia ou no Paquistão, que já se ofereceu para abrigar conversas com funcionários americanos. Um membro do governo turco, Harun Armagan, declarou que seu país “desempenha um papel de intermediário” entre Washington e Teerã.


