O vereador carioca Leniel Borel, pai do menino Henry, morto aos 4 anos em 2021, manifestou sua indignação com o adiamento do julgamento do caso no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A sessão, marcada para esta segunda-feira, 23, foi impedida de ocorrer devido a uma manobra dos advogados do padrasto de Henry, o ex-vereador Dr. Jairinho, que responde por homicídio.
Os advogados deixaram o plenário em protesto, inviabilizando o julgamento, o que levou Leniel a afirmar: “Mataram meu filho novamente. O que foi feito aqui hoje é um assassinato, um terrorismo com uma família que luta. É um desrespeito com a memória do Henry e um desrespeito com a minha família.” Ele e seus familiares acompanharam o julgamento, que foi interrompido pelos advogados de Jairinho, e classificou a conduta deles como uma “palhaçada”.
Em nota, a defesa de Jairinho justificou que não concordou com a realização do julgamento por suposta falta de acesso a provas, um argumento que foi rechaçado pela Justiça. A defesa afirmou que “o exercício da advocacia no tribunal do júri não pode ser meramente formal, mas sim efetivo e responsável”.
A manobra dos advogados beneficiou a professora Monique Medeiros, mãe de Henry, que também responde ao processo. A juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo caso, considerou que Monique não teve culpa pelo adiamento e que a continuidade de sua prisão configuraria “constrangimento ilegal” por excesso de prazo.
Leniel Borel avaliou que a soltura de Monique foi uma retaliação a Jairinho, descrevendo-a como “um castigo”. Ele lamentou: “Se não teve júri, o lugar da Monique é presa. Aquela criança sangrou pedindo a ajuda da mãe e a mãe sai pela porta da frente agora? Não pode uma mãe, que tem a possibilidade de ter matado o filho dela, sair pela porta da frente. A Monique é, no mínimo, omissa.”
O promotor Fábio Vieira, do Ministério Público do Rio, informou que vai recorrer para tentar restabelecer a prisão de Monique, argumentando que o julgamento poderia ter sido desmembrado para julgá-la nesta data. Os advogados da professora se opuseram à sugestão, alegando que ela poderia ser prejudicada pela dinâmica de um julgamento fracionado.
O promotor argumentou que “a conduta da Monique é tão grave quanto a do Jairo, então não teria problema que ela fosse julgada. O excesso de prazo é causado também pela negativa da defesa de fazer o julgamento no dia de hoje”. A juíza Elizabeth Machado Louro considerou que a inversão da ordem do julgamento seria “juridicamente impossível” e poderia comprometer a “coerência” do veredito dos jurados e prejudicar a defesa de Monique.


