O Paquistão entregou ao Irã uma proposta dos Estados Unidos, conforme informou um alto funcionário iraniano nesta quarta-feira (25). O Paquistão e a Turquia estão sendo considerados como possíveis locais para discussões que visam reduzir a escalada da guerra no Golfo.
A fonte, que falou sob condição de anonimato, não detalhou a proposta recebida do Paquistão e não confirmou se se trata do plano de 15 pontos dos EUA já divulgado anteriormente pela imprensa. A Turquia também tem contribuído para facilitar as negociações.
Após os relatos sobre o envio do plano, os preços do petróleo caíram, enquanto as ações se recuperaram, em meio a semanas de volatilidade. Os investidores aguardam o fim de quase quatro semanas de guerra, que já resultou em milhares de mortes e afetou o fornecimento global de energia.
Três fontes do gabinete israelense informaram que o escritório do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi notificado sobre a proposta, que inclui a remoção de estoques de urânio altamente enriquecido do Irã, a interrupção do enriquecimento, restrições ao programa de mísseis balísticos e o fim do financiamento a aliados regionais.
Enquanto isso, o Pentágono planeja enviar milhares de tropas para o Golfo, oferecendo ao presidente Donald Trump mais opções para um possível ataque terrestre. Dois contingentes de fuzileiros navais já estão a caminho, e a primeira Unidade Expedicionária de Fuzileiros pode chegar ainda neste mês.
O Irã, por sua vez, não confirmou disposição para negociar. Porta-vozes militares e do Ministério das Relações Exteriores criticaram as tentativas de Trump de criar expectativas sobre conversas diplomáticas. Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar conjunto do Irã, afirmou: “Pessoas como nós jamais conseguirão se dar bem com pessoas como vocês. Como sempre dissemos, ninguém como nós fará um acordo com vocês. Nem agora. Nem nunca.”
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Beghaei, declarou que as negociações nucleares já estavam em andamento antes das ações de Trump, que ele classificou como “uma traição à diplomacia”, tornando novas negociações inúteis. “Não há conversas nem negociações entre o Irã e os Estados Unidos. Nossas forças armadas estão focadas em defender o território e a soberania do Irã contra esta guerra brutal e ilegal”, disse.
Israel mantém ceticismo sobre a disposição do Irã em aceitar os termos, temendo que eles sirvam apenas como ponto de partida para negociações em que os americanos possam fazer concessões. A postura mais moderada de Trump nesta semana, incluindo o adiamento de ataques contra o sistema energético civil do Irã, trouxe algum alívio aos mercados, que vinham em forte oscilação.
Quase quatro semanas após o início da guerra, não houve trégua nos ataques aéreos contra o Irã nem nos ataques iranianos com drones e mísseis contra Israel e seus aliados. As Forças Armadas de Israel informaram que realizaram ataques a infraestruturas em Teerã e atingiram instalações de mísseis de cruzeiro navais.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado novos ataques contra Israel, incluindo Tel Aviv e Kiryat Shmona, além de bases americanas no Kuwait, Jordânia e Bahrein. Desde o início da “Operação Fúria Épica” pelos EUA em fevereiro, o Irã atacou países que abrigam bases americanas e praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

