A esquerda brasileira, incluindo figuras moderadas como Lula da Silva, enfrenta um paradoxo ao condenar a ditadura civil-militar e, ao mesmo tempo, apoiar a ditadura de Cuba. A ditadura militar no Brasil durou 21 anos e é criticada por tentativas de golpe articuladas por grupos como o de Jair Bolsonaro, que planejou assassinatos de líderes como Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes.
Por outro lado, Cuba vive sob um regime que não permite eleições livres há 67 anos, levando milhões de cubanos a buscar melhores condições de vida em outros países, especialmente nos Estados Unidos. A crítica ao embargo americano é comum, mas a realidade é que Cuba enfrenta dificuldades econômicas devido ao seu sistema comunista, que não gera crescimento suficiente.
A repressão em Cuba, liderada por Fidel Castro, Raúl Castro e Che Guevara, resultou na perseguição de dissidentes, intelectuais e artistas. Escritores como Heberto Padilla, Guillermo Cabrera Infante e Reinaldo Arenas foram forçados ao exílio ou enfrentaram a prisão. Lezama Lima e Virgilio Piñera, por exemplo, foram ostracizados por não apoiarem o regime e por sua orientação sexual.
Os defensores de Cuba no Brasil frequentemente ignoram que muitos cubanos desejam mudanças e melhores condições de vida. A imagem idealizada de Cuba, vista por turistas, contrasta com a realidade da população local, que enfrenta escassez de alimentos e medicamentos. A crítica ao boicote energético promovido pelos Estados Unidos é que ele agrava a situação dos cubanos, sem contribuir para a derrubada do regime.
Embora a ajuda humanitária seja necessária, a crítica se concentra no apoio político a um governo que piora a vida dos cidadãos. A solução proposta é que os cubanos lutem por um regime democrático, semelhante à socialdemocracia europeia, ao invés de uma intervenção americana.


