A perícia realizada no celular da policial militar Gisele Alves Santana identificou conversas deletadas do aparelho, concluída em 25 de março de 2026. Gisele foi encontrada morta em seu apartamento em fevereiro deste ano.
A extração de dados recuperou mensagens em que a soldado confronta o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pela morte, sobre uma suposta traição e exige o divórcio nas horas que antecederam o crime. Em uma das mensagens, Gisele escreveu:
““Quero me separar. Vou ser ex, não corna””
.
Outras mensagens mostram que a separação era o único caminho possível, pois Gisele já não conseguia mais confiar em Geraldo. O laudo da perícia também revelou que o tenente-coronel fez uma “limpeza” no telefone após a morte da esposa, acessando o aparelho para excluir conteúdos logo após o disparo, quando Gisele ainda estava viva.
Geraldo alegou em depoimentos que a discussão na manhã da tragédia foi motivada por seu pedido de divórcio, mas as mensagens indicam que Gisele era quem pedia a separação. A defesa do tenente-coronel informou que ele se manifestará apenas nos autos.
A morte de Gisele, inicialmente registrada como suicídio, passou a ser investigada como feminicídio qualificado com fraude processual. As investigações apontam que o relacionamento era marcado por violência psicológica, física e patrimonial, além de controle coercitivo. Mensagens acessadas mostram o comportamento autoritário de Geraldo, que exigia submissão da esposa.
Na manhã do crime, após uma discussão, Geraldo teria imobilizado Gisele e efetuado um disparo à queima-roupa em seu rosto. Ele teria alterado a cena do crime para simular um suicídio, colocando a arma na mão de Gisele e reposicionando o corpo. Laudos indicaram sinais de agressão e vestígios de sangue que contradizem sua narrativa.
O Ministério Público sustenta que houve demora no acionamento do socorro, com Geraldo chamando ajuda cerca de meia hora após o disparo, período em que ele teria alterado o local dos fatos. A Justiça decretou a prisão preventiva do tenente-coronel, que está detido no Presídio Militar Romão Gomes. A defesa nega as acusações e sustenta a tese de suicídio, mas o STJ manteve a prisão. O caso seguirá para julgamento no Tribunal do Júri.
A defesa do tenente-coronel, através do escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, manifestou-se sobre a situação, afirmando que Geraldo não se ocultou e colaborou com as autoridades. A defesa também destacou a exposição indevida de informações sobre a vida privada de Geraldo e reafirmou a confiança na elucidação dos fatos.

