Uma pesquisa realizada pelo Banco Central revelou que 29% do salário dos brasileiros está sendo reservado para o pagamento de dívidas financeiras. Em Goiás, 12% da população enfrenta essa situação, o que equivale a quase 400 mil pessoas.
Um levantamento da Confederação Nacional de Comércio (CNC) indica que cerca de 226 mil goianos estão com contas em atraso, enquanto 122 mil afirmam não ter condições de quitar suas dívidas. A pesquisa também identificou que o cartão de crédito é o principal responsável pelo endividamento, afetando 64,9% das pessoas com dívidas ativas.
Os carnês representam 17,4% das dívidas, seguidos pelo crédito pessoal com 12,9% e pelo financiamento de veículos, que corresponde a 11,1%. A educadora financeira Eliana Mendes destacou que os problemas financeiros são estruturais e resultam da falta de educação e planejamento.
““Basicamente, existem três fatores principais: o fator estrutural, que é a nossa falta de base em educação financeira; a falta de planejamento, onde as pessoas não anotam o que gastam; e o fator emocional, que é a pressa em consumir”, explicou Eliana Mendes.”
Além do endividamento, a busca por status financeiro tem gerado preocupações. Muitas famílias mantêm padrões de consumo que não refletem sua real condição financeira, muitas vezes influenciadas pelas redes sociais.
““Quanto menos educação financeira, mais endividamento. Mas um dado interessante é que o endividamento atinge todas as classes. Às vezes, famílias que ganham muito também estão muito endividadas porque tentam manter um status de consumo”, afirmou a especialista.”
Eliana Mendes também sugeriu que, para sair do ciclo do endividamento, é essencial organizar os gastos e priorizar o pagamento das dívidas com juros mais altos. Ela ressaltou que muitos bancos oferecem descontos significativos para a quitação de dívidas.
““O problema não é quanto se ganha, mas como se gasta. As pessoas estão doentes, ansiosas e perdendo o sono por causa de boletos”, concluiu.”


