O policial civil Eduardo Tadeu foi identificado como chefe de um esquema de tráfico de drogas no Espírito Santo. Além do tráfico, ele também atuava como agiota, vendia armas e oferecia proteção a criminosos. As informações foram reveladas por novos documentos da investigação obtidos pela TV Gazeta.
Eduardo Tadeu havia sido afastado do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) em 2017 devido a suspeitas de irregularidades, mas retornou à unidade mesmo após denúncias e investigações. O caso foi amplamente abordado em uma reportagem exibida no programa Fantástico, que apresentou áudios, vídeos e depoimentos da Polícia Federal e do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Eduardo Tadeu é descrito como o “maior traficante do estado”. As apurações indicam que policiais civis do Denarc se uniram a criminosos para desviar entorpecentes apreendidos e revendê-los no mercado ilegal. Além de Tadeu, o policial civil Erildo Rosa também está preso, enquanto outros três policiais foram afastados. Quinze policiais militares foram investigados e denunciados por envolvimento com o tráfico.
A defesa de Eduardo Tadeu não se manifestou sobre as novas denúncias. O advogado de Erildo Rosa afirmou que não existem provas concretas que comprovem a participação dele em qualquer organização criminosa.
As investigações da força-tarefa da Polícia Federal revelaram uma troca de mensagens entre Eduardo Tadeu e o traficante Yago Sahib Bahia, conhecido como Passarinho, ligado ao PCC. As mensagens indicam uma relação comercial entre eles, incluindo fotos de armas. Em um encontro filmado por Yago, uma grande quantia de dinheiro foi vista no console do carro de Eduardo. Yago afirmou que o policial atuava como agiota, dizendo: “Já peguei dinheiro com ele”.
As conversas entre Eduardo e Yago, datadas de fevereiro de 2024, também revelaram que o policial recebeu fotos e o endereço de outro traficante, Luan Alexandre Coutinho Augusto, que foi preso no dia seguinte. Em outra parte da investigação, um suspeito identificado como Tiago Rodrigues Libera negociava a compra de drogas com Eduardo, utilizando termos como “peixe” e “chá” para se referir à cocaína e à maconha, respectivamente.
O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darci Arruda, comentou as denúncias, afirmando que a instituição não hesitará em punir desvios internos. Ele usou a metáfora de “laranjas podres” para se referir aos policiais investigados, ressaltando que a conduta deles é uma exceção dentro da corporação. Arruda expressou surpresa e indignação ao tomar conhecimento da gravidade do esquema criminoso.
A segunda fase da Operação Turquia II foi deflagrada no dia 18 de março de 2026, com 112 mandados de prisão previstos em 15 estados. Eduardo Tadeu é o segundo policial do Denarc preso em menos de quatro meses por ligação com traficantes. Na primeira fase da operação, em novembro de 2025, um policial civil foi preso e outros dois foram afastados.
As investigações começaram após a prisão de um dos principais chefes do tráfico na região da Ilha do Príncipe, em fevereiro de 2024. Com o avanço das apurações, foram identificados indícios de ligação entre o investigado e servidores públicos, apontando possível cooperação ilícita durante ações policiais. Parte das drogas apreendidas não era registrada em boletins de ocorrência e acabava desviada.
A Polícia Civil informou que participou das ações da Operação Turquia II, prestando apoio à Polícia Federal e ao MPES no cumprimento de mandados de busca e apreensão, além de mandados de prisão e medidas cautelares de afastamento de função pública. Eduardo Tadeu já estava afastado desde a primeira fase da operação e foi encaminhado ao presídio de policiais civis.

