Uma policial militar denunciou que foi abusada por um colega dentro do alojamento da Polícia Militar em Gurupi, no sul do estado do Tocantins. O caso está em tramitação na Justiça há cinco anos. A defesa do militar, identificado como cabo Bruno Xavier, alega que o incidente ocorreu durante um episódio de sonambulismo.
O abuso teria acontecido em outubro de 2022, quando a vítima estava em um plantão de 24 horas. Em entrevista, ela relatou que acordou com o colega deitado ao seu lado, alisando sua virilha. ‘Eu iluminei o rosto dele com o celular e o repreendi. Foi quando ele falou: ‘uai’ e voltou pra cama dele’, contou a policial.
O cabo Bruno Xavier foi denunciado pela promotoria militar e se tornou réu em fevereiro de 2025, conforme decisão do juiz José Ribamar. A Polícia Militar do Tocantins informou que instaurou um procedimento administrativo e um inquérito policial militar, que opinou pelo indiciamento do investigado.
Após o ocorrido, a policial procurou o comandante da Força Tática para relatar o abuso, mas afirmou que foi desestimulada a prosseguir com a denúncia. Ela mencionou que o comandante sugeriu que conversasse diretamente com o agressor. ‘Isso me deixou mais constrangida ainda’, disse.
A vítima também relatou que enfrentou comentários machistas dentro do batalhão, levando-a a pedir transferência por não suportar o ambiente de trabalho. Ela descreveu uma reunião onde se sentiu desamparada e que o comandante do batalhão repreendeu o agressor, que pediu desculpas.
A defesa do cabo Bruno Xavier argumentou que o ato não foi intencional, mas decorrente de sonambulismo. O advogado Indiano Soares afirmou que o cliente possui laudos médicos que comprovam a condição. ‘Ele estava dormindo, ele não tentou esboçar qualquer ato sexual’, afirmou o advogado.
A Polícia Militar do Tocantins reiterou que todos os procedimentos legais e administrativos foram instaurados e que a apuração da conduta de natureza libidinosa está em andamento no Poder Judiciário. A corporação destacou a criação da Comissão de Implementação e Políticas em Atenção à Mulher (CIPAM) e da Ouvidoria da Mulher como mecanismos de proteção interna.


