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Por que algumas doenças neurológicas afetam mais mulheres?

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de março de 2026 08:00
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Estudos de neuroimagem indicam que homens e mulheres compartilham a maioria das características cerebrais, com uma sobreposição superior a 90% nas medidas estruturais e funcionais. Não existem ‘modelos’ separados; o que se observa é um espectro de variações individuais. Pequenas diferenças de volume ou conectividade não determinam inteligência ou personalidade. No entanto, ignorar as particularidades biológicas da mulher é um erro médico.

Embora a estrutura cerebral seja semelhante, o funcionamento é influenciado pelos hormônios ao longo da vida. A enxaqueca, por exemplo, atinge cerca de 18% das mulheres contra 6% dos homens, segundo dados do estudo Global Burden of Disease. As oscilações de estrogênio modulam os circuitos da dor, explicando a severidade das crises perto do período menstrual. Doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, são duas a três vezes mais comuns no sexo feminino devido a fatores genéticos e uma resposta imunológica mais intensa.

Um dos maiores desafios no consultório é o peso da cultura. Sintomas neurológicos em mulheres, como tonturas e dores crônicas, foram frequentemente rotulados como ‘emocionais’. Esse viés diagnóstico pode atrasar tratamentos vitais ao interpretar queixas físicas como ansiedade ou estresse. É essencial investigar os sintomas com rigor técnico.

De acordo com a Alzheimer’s Association, aproximadamente dois terços das pessoas com a doença de Alzheimer são mulheres. A longevidade feminina e a queda do estrogênio na menopausa podem influenciar processos inflamatórios e metabólicos no cérebro. Embora o acidente vascular cerebral (AVC) ocorra menos em mulheres, tende a ser mais grave. Durante a gestação, o risco de um derrame é cerca de três vezes maior em comparação a mulheres não grávidas da mesma idade.

Além disso, as mulheres costumam apresentar sintomas atípicos de AVC, como confusão mental súbita e fadiga intensa. Reconhecer esses sinais precocemente pode ser crucial para a recuperação. Hipertensão, diabetes e colesterol elevado aumentam o risco de AVC e demência, mostrando a conexão entre coração e cérebro.

A sobrecarga mental, a sensação de estar permanentemente responsável por múltiplas tarefas, também impacta a saúde da mulher. O estresse crônico eleva os níveis de cortisol, afetando memória, sono e humor. O cérebro interage com o intestino e o sistema imune, influenciando a ansiedade e a sensibilidade à dor.

A boa notícia é que a prevenção é poderosa. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o controle de fatores de risco modificáveis pode reduzir em até 40% o risco de demência. Diferenças biológicas devem ser vistas como guias para um cuidado personalizado.

É importante não subestimar sinais como dores de cabeça que mudam de padrão, perda de memória fora do habitual, dormências persistentes e alterações visuais transitórias. O diagnóstico precoce é a melhor ferramenta. O ‘cérebro feminino’ é humano e resiliente, e compreender suas particularidades ajuda a reduzir desigualdades e promover saúde ao longo da vida.

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