O preço do petróleo voltou a ser destaque nos mercados globais em 19 de março de 2026, em meio a tensões geopolíticas e incertezas sobre a oferta da commodity. Conflitos entre Irã e Israel, além do envolvimento dos Estados Unidos, fazem com que investidores revisem suas projeções sobre o preço do barril nos próximos meses.
Um ponto crítico é o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o escoamento de petróleo. O bloqueio dessa passagem aumentou significativamente o nível de risco no mercado e impulsionou os preços. “Estamos vivenciando um momento de bastante agitação no mercado global de combustíveis. Com o aumento das tensões e o fechamento do Estreito de Ormuz, que é o principal canal de escoamento de petróleo, vimos uma das maiores escaladas de preços da década, com alta superior a 75%”, afirma Bruno Perottoni, diretor de tesouraria de Braza Bank.
Perottoni também aponta que a tendência no curto e médio prazo é de preços elevados. “Estimamos a manutenção do petróleo acima de US$ 90 por barril por um período prolongado. Mesmo com possíveis aumentos de produção em outros países, não deve haver oferta suficiente para pressionar uma queda relevante nos preços”, diz.
O William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, destaca o desequilíbrio entre oferta e demanda. “Cerca de 20% do petróleo global passa pelo Estreito de Ormuz. Quando essa rota é interrompida, você retira uma fatia relevante da oferta e o mercado reage rapidamente”, explica. Ele ressalta que, em cenários de escassez, a reação dos preços tende a ser desproporcional. “Se você precisa de petróleo e ele não está disponível, o preço pode subir de forma muito rápida, porque não existe substituição imediata. É um mercado com alta sensibilidade no curto prazo”, afirma.
Apesar da pressão atual, Alves pondera que esse movimento pode não se sustentar no longo prazo. “Os contratos futuros indicam que o mercado ainda espera uma normalização, com preços mais próximos de US$ 70 em horizontes mais longos, o que sugere que esse estresse é pontual e depende diretamente da duração do conflito”, diz.
A dinâmica da oferta continua a ser monitorada, com a atuação de grandes produtores da OPEP e decisões de países como Arábia Saudita e Rússia influenciando o equilíbrio do mercado. Ao mesmo tempo, a articulação internacional liderada por Donald Trump para conter o conflito enfrenta dificuldades de adesão entre outros países. Em um cenário de prolongamento das tensões, a pressão sobre os preços pode se intensificar ao longo do ano.
“Se tivermos uma duração mais longa do conflito, especialmente com a chegada do inverno no hemisfério norte, a demanda por energia tende a subir, o que pode levar o petróleo a patamares ainda mais elevados no segundo semestre”, acrescenta Perottoni.
No Brasil, a trajetória do petróleo impacta diretamente os preços dos combustíveis e a inflação, além de influenciar o desempenho de empresas como a Petrobras e o comportamento do Ibovespa. O Banco Central do Brasil também observa esse cenário, especialmente em um momento de discussão sobre a política monetária.


