A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, encerra seu mandato neste domingo (29) após 12 anos à frente da capital francesa, período marcado por significativas transformações urbanas.
Durante sua gestão, Hidalgo implementou uma série de medidas que resultaram no fechamento de centenas de ruas ao tráfego de automóveis, criando espaços para pedestres, ciclovias e áreas verdes. Veículos foram banidos das vias ao redor do rio Sena, e centenas de milhares de árvores foram plantadas.
O trânsito de bicicletas foi incentivado, e um projeto ambicioso de “cidade de 15 minutos” foi iniciado, permitindo que os habitantes tenham acesso a serviços essenciais a uma curta distância. Hidalgo passará o cargo para Emmanuel Grégoire, seu aliado do Partido Socialista (PS), vencedor das eleições de 22 de março.
Uma das prioridades de Hidalgo foi preparar Paris para as mudanças climáticas, reduzindo pela metade a circulação de automóveis desde 2015. Mais de 200 ruas tiveram o tráfego completamente proibido, e a prefeitura planeja ampliar essas áreas para 500 vias, tornando uma em cada dez ruas exclusiva para pedestres.
Para desestimular o uso de carros, a prefeitura removeu dezenas de milhares de vagas de estacionamento e plantou 130 mil árvores. A velocidade máxima permitida na cidade foi reduzida para 30 km/h.
Além disso, medidas foram adotadas para desencorajar veículos pesados, como o aumento das taxas de estacionamento para SUVs, que podem chegar a R$ 2,4 mil por dia na região central.
Hidalgo também promoveu a abertura de ciclovias, especialmente durante a pandemia. “Paris se torna cada vez mais ciclável porque queremos que a cidade seja mais respirável, mais silenciosa e mais justa”, afirmou a prefeita.
O tráfego de carros caiu mais de 60% desde 2002, e o uso de bicicletas mais que triplicou. A qualidade do ar melhorou, com uma redução de 35% nas emissões de dióxido de carbono e 40% na poluição por dióxido de nitrogênio entre 2012 e 2022.
O conceito de “cidade de 15 minutos” foi introduzido por Hidalgo com a ajuda do urbanista Carlos Moreno, visando facilitar o acesso dos habitantes a serviços essenciais em um raio de 15 minutos a pé ou de bicicleta.
Apesar das conquistas, Hidalgo enfrentou críticas. Pierre Chasseray, líder do grupo de defesa dos motoristas, afirmou que a prefeita criou um “Muro de Berlim” entre os habitantes ricos do centro e os moradores dos subúrbios, que dependem de carros.
A dívida do município aumentou 42% desde 2020, atingindo cerca de 10 bilhões de euros. Grégoire atribuiu isso à ambição excessiva de Hidalgo, sugerindo um cronograma diferente para as implementações.


