O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, afirmou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, que a confiança entre os Estados Unidos e seus aliados ocidentais está “perdida”. Ele acredita que essa situação persistirá mesmo após a presidência de Donald Trump.
Em um discurso em Berlim, durante o 75º aniversário do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, Steinmeier declarou: “A ruptura é muito profunda e a confiança perdida na política de grande potência dos Estados Unidos é muito significativa, não apenas entre seus aliados, mas também, como constato, em escala mundial”.
O presidente alemão comentou sobre o futuro das relações transatlânticas, que são fundamentais para a ordem mundial pós-Segunda Guerra Mundial. Ele afirmou que “não há retorno à situação anterior a 20 de janeiro de 2025”, data que marca o início do segundo mandato de Trump.
Steinmeier acrescentou que “mesmo uma futura administração americana não poderá retomar o papel de hegemonia benevolente, garantidora de uma ordem internacional liberal”.
Além da questão da confiança, o presidente também criticou a guerra contra o Irã, afirmando que é “contrária ao direito internacional”. Ele descreveu o conflito como “um erro político com consequências graves” e o considerou “evitável” e “inútil”.
Embora o papel do presidente da Alemanha seja essencialmente cerimonial, Steinmeier exerce influência moral e suas críticas costumam ser mais contundentes do que as do chefe de governo. O chanceler alemão, Friedrich Merz, já havia pedido o fim dos combates, ressaltando que “não beneficiam ninguém e afetam muitos economicamente”.
Steinmeier já havia criticado a política externa americana sob o governo Trump anteriormente. Em janeiro, após a operação militar americana na Venezuela para depor Nicolás Maduro, ele alertou que os Estados Unidos estão destruindo a ordem mundial baseada em normas e valores estabelecidos no pós-Segunda Guerra.
O presidente pediu que o mundo resista à criação de um “covil de ladrões”, onde os mais fortes e inescrupulosos tomam o que querem dos mais fracos.


