A Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora Soledad Palameta Miller, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que está sendo investigada por furto de um vírus dentro da universidade. Miller, que tem 36 anos, desenvolve pesquisas voltadas à criação de vacinas e ao estudo de doenças em animais, incluindo aquelas que podem ser transmitidas a humanos.
A docente atuava na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e coordenava um laboratório focado em virologia e biotecnologia aplicada a alimentos. Ela foi presa em flagrante na segunda-feira (23), após a Polícia Federal localizar amostras virais em laboratórios utilizados por ela. Após audiência de custódia, Miller foi liberada, mas está proibida de entrar nos laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação.
A defesa da professora argumenta que não há materialidade de furto e afirma que ela utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não ter estrutura própria. As principais linhas de pesquisa de Miller incluem o desenvolvimento de vacinas, pesquisa sobre doenças em aves, monitoramento de vírus em animais e estudos sobre vírus respiratórios.
As informações sobre suas pesquisas estão disponíveis em seu currículo Lattes e em descrições de projetos acadêmicos em andamento. Nascida na Argentina, Miller é biotecnologista pela Universidade Nacional de Rosario e doutora em ciências na área de fármacos, medicamentos e insumos para saúde pela Unicamp.
Entre 2017 e 2022, ela trabalhou como analista no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em projetos relacionados à engenharia de vetores virais e terapia de câncer. A investigação começou após o desaparecimento de amostras de um laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp, em fevereiro. O material foi localizado nas instalações da FEA, onde a professora atua.
Além de responder por suspeitas de crimes relacionados à manipulação irregular de organismos geneticamente modificados, exposição de pessoas a risco e possível interferência em investigação, o material apreendido foi enviado para análise por órgãos federais, e o caso segue sob sigilo. A Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos.
As amostras de vírus que teriam sido levadas do laboratório de virologia foram retiradas de uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos. Essa classe de risco é caracterizada por agentes infecciosos que apresentam alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade.

