Soledad Palameta Miller, professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), foi liberada após audiência de custódia realizada na tarde de terça-feira, 24 de março de 2026. Ela havia sido detida em flagrante sob suspeita de furtar vírus armazenado em um laboratório da instituição.
A juíza Valdirene Ribeiro de Souza Falcão, da 9ª Vara Federal de Campinas, confirmou a existência de provas concretas do crime e indícios de autoria contra Soledad. O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se favoravelmente à liberdade provisória da docente, sugerindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de acesso à Unicamp.
A defesa de Soledad argumentou que ela é mãe de dois filhos, de 2 e 5 anos, para solicitar o relaxamento da prisão. A Justiça negou a conversão em prisão preventiva e concedeu a liberdade provisória com medidas cautelares, que incluem o comparecimento mensal obrigatório à 9.ª Vara Federal de Campinas, a proibição de ausentar-se da cidade por mais de cinco dias sem autorização judicial, o pagamento de fiança no valor de 2 salários-mínimos, a proibição total de acesso aos laboratórios da Unicamp e a proibição de sair do país sem autorização judicial.
O furto foi descoberto na manhã de 13 de fevereiro, quando caixas contendo amostras virais do Laboratório de Virologia Animal do Instituto de Biologia da Unicamp desapareceram. O material estava em uma área classificada como NB-3, que possui rigorosos protocolos de biossegurança. A ausência foi notada por uma pesquisadora com acesso autorizado ao laboratório.
As investigações revelaram que Soledad não possuía um laboratório próprio na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), o que a levou a utilizar espaços emprestados de outros docentes. Ela não tinha acesso direto aos laboratórios de onde o material foi retirado, contando com a ajuda de terceiros para entrar nos locais. Após subtrair o material, que pertencia à professora Clarice Weis Arns, Soledad o transferiu para outros ambientes da universidade.
As amostras foram encontradas escondidas em freezers de outros professores no Laboratório de Doenças Tropicais e no Laboratório de Engenharia Metabólica, e estavam abertas e manipuladas. A polícia também localizou uma grande quantidade de frascos descartados em lixeiras comuns no Laboratório de Cultura de Células.
A prisão ocorreu após investigações que se iniciaram com a comunicação da Unicamp sobre o desaparecimento do material. Soledad foi abordada e presa em flagrante enquanto dirigia seu veículo na Rua Bortolo Martins. Ela optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório policial. Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e o material subtraído foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise.
A ação foi realizada pela Polícia Federal, com apoio técnico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Os investigados responderão pelos crimes de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. A Unicamp informou que está tomando as medidas cabíveis e colaborando com as autoridades competentes.
Soledad, de 36 anos, é professora da FEA da Unicamp desde agosto de 2025 e coordenadora do Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos. Ela é graduada em Biotecnologia pela Universidad Nacional de Rosario, na Argentina, e possui doutorado em Ciências pela Unicamp e pelo LNBio (Laboratório Nacional de Biociências). Durante seu doutorado, desenvolveu nanopartículas biológicas para imunomodulação antitumoral e possui registro de uma patente voltada a composições terapêuticas de partículas imunomoduladoras semelhantes a vírus.


