Uma unidade dedicada à produção de próteses cranianas personalizadas, que promete oferecer produtos ao Sistema Único de Saúde (SUS) a preços cerca de 10 vezes mais baixos que os importados, enfrenta dificuldades para ser implementada. O projeto, que envolve a Fiocruz e o Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, em Campinas (SP), está paralisado.
Embora já existam recursos empenhados, parte dos quais foi destinada à aquisição de equipamentos, a execução da obra civil enfrenta entraves que poderiam ser superados com uma parceria com o setor privado. “O projeto aprovado pelo Ministério da Saúde contempla um investimento de R$ 38 milhões destinados à aquisição de equipamentos e à formação de pessoal técnico e médico especializado. Nesse valor, no entanto, não está o recurso necessário para as obras civis”, explicou o pesquisador Renato Rozental.
O governo federal considera a instalação da unidade “estratégica e relevante”. O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) informou que análises técnicas e administrativas estão em andamento para identificar alternativas de apoio. Para avançar na estruturação da unidade, que precisa de um prédio próprio para obter certificação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Rozental destacou a importância da participação de parceiros do setor privado.
O pesquisador estima que a construção de uma estrutura de 900 m² custaria cerca de R$ 10 milhões e poderia ser concluída em até 12 meses. Após a finalização da obra civil, seriam necessários mais até dois anos para a instalação dos equipamentos e a aprovação pelo órgão sanitário, antes que a unidade pudesse atender a demanda da população.
Segundo Rozental, há uma demanda de até 4 mil próteses cranianas de adultos por ano no Brasil, número que cresce devido ao aumento da violência urbana e dos acidentes de trânsito. “O setor privado reúne agilidade, competência e grande capacidade operacional. A proposta é estabelecer uma parceria estruturada entre a Fiocruz, o CTI e uma instituição privada para viabilizar a implementação dessa estrutura”, afirmou.
Atualmente, cada prótese craniana de titânio adquirida no mercado nacional pode custar até R$ 200 mil, sem incluir os parafusos ortopédicos. O objetivo é que o produto elaborado no CTI Renato Archer custe cerca de R$ 25 mil, incluindo os parafusos. Para isso, é necessário avançar com a construção da estrutura.
Rozental ressaltou que, apesar do apoio significativo, a burocracia limita a agilidade dos processos. “O setor privado pode desempenhar um papel fundamental”, defendeu. Ele também mencionou que a equipe está empenhada em estruturar uma prova de conceito para avançar na implementação da unidade produtiva.
O MCTI declarou que a implantação da unidade é uma “ação estratégica e relevante” e que está buscando soluções para viabilizar o avanço da obra civil. O ministério está avaliando possibilidades de parcerias, incluindo com a iniciativa privada, sempre em conformidade com a legislação vigente e o interesse público.

