O PSD se prepara para as eleições de 2026 com o maior número de prefeitos e a intenção de se consolidar como uma terceira via na polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Fundado em 2011, o partido se destacou nas eleições municipais de 2012, tornando-se a quarta maior força política do Brasil. Sob a liderança de Gilberto Kassab, o PSD foi o primeiro a apoiar a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, mas também participou do seu impeachment em 2016.
O partido integrou os governos de Dilma, Michel Temer, Jair Bolsonaro e atualmente possui três ministérios na administração de Lula. Kassab ocupa o cargo de secretário de governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.
Desde 2018, o PSD se posiciona como uma alternativa para romper a polarização entre direita e esquerda, representada pelo PL e PT. Nas eleições municipais de 2024, o partido elegeu 891 prefeitos, consolidando-se como a maior força municipal.
Atualmente, o PSD também conta com o maior número de governadores do país: Ratinho Junior (PR), Raquel Lyra (PE), Fábio Mitidieri (SE), Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Marcos Rocha (RO). Ratinho, Leite e Caiado são cotados como possíveis candidatos à Presidência, com a escolha prevista até 25 de março.
Uma pesquisa da Quaest, divulgada em 11 de março, mostrou que Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados com 41% das intenções de voto no cenário de segundo turno, marcando a primeira vez que ambos apresentam empate numérico.
No Legislativo, o PSD tem mostrado crescimento, elegendo 35 deputados em 2018 e 42 em 2022, totalizando 47 parlamentares atualmente. A bancada na Câmara tem direito à indicação de um ministro, atualmente André de Paula (PSD-PE), que chefia a pasta da Pesca e Aquicultura.
No Senado, o PSD começou a legislatura em 2023 como o maior partido, com 15 membros, e atualmente possui 14 senadores, sendo a segunda maior bancada, atrás apenas do PL.
O PSD ocupa um espaço que antes era do MDB, atuando como um partido pêndulo entre diferentes alas ideológicas. Os diretórios estaduais têm liberdade para formar alianças, visando maximizar a eleição de seus candidatos, independentemente de questões ideológicas.
O partido tem apoiado candidatos como Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, e a chapa do PT na Bahia, encabeçada por Jerônimo Rodrigues. Em Minas Gerais, a legenda optou por apoiar o vice-governador Matheus Simões na sucessão de Romeu Zema (Novo).
O pragmatismo do PSD se reflete na busca por aumentar suas bancadas na Câmara e no Senado, visando maior poder de negociação na próxima legislatura. Kassab identificou um espaço no centro político, aproveitando a fragilidade de partidos tradicionais como MDB e PSDB.
O cientista político da Universidade de Brasília (UNB), Murilo Medeiros, destaca a habilidade de Kassab em atrair quadros insatisfeitos de outras legendas, observando o declínio de federações como a do União Brasil e do PP.

