A República Democrática do Congo está a 90 minutos de encerrar o maior jejum entre seleções africanas em Copas do Mundo. A última participação foi em 1974, ainda como Zaire. Desde então, são 52 anos fora do principal torneio do futebol.
A chance de mudar esse cenário ocorre nesta terça-feira, 31 de março, às 18h de Brasília, em Guadalajara. Em um jogo único contra a Jamaica, os congoleses disputam a repescagem intercontinental por uma vaga na Copa de 2026. O vencedor avança ao Mundial, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México.
A presença do Zaire em 1974 ficou marcada mais pelo contexto do que pelos resultados. O país foi o primeiro da África Subsaariana a jogar uma Copa, mas acabou eliminado na fase de grupos, com três derrotas, sendo a mais pesada um 9 a 0 contra a Iugoslávia, uma das maiores goleadas da história do torneio.
Desde então, a seleção nunca mais conseguiu retornar ao Mundial. Bateu na trave em eliminatórias e enfrentou problemas fora de campo, comuns a muitas federações africanas. Apesar disso, o país se manteve relevante no continente, sendo campeão da Copa Africana de Nações em 1968 e 1974, e alcançando o terceiro lugar em 2015.
O cenário atual é mais competitivo. A ampliação da Copa para 48 seleções abriu vagas extras e trouxe novos caminhos, como a repescagem intercontinental. Para a RD Congo, essa é a oportunidade mais concreta em décadas.
Do outro lado, a Jamaica busca disputar apenas sua segunda Copa do Mundo, tendo participado uma única vez, em 1998, na França. A equipe caribenha conta com uma base formada por jogadores que atuam fora do país, principalmente na Inglaterra.
Para o público brasileiro, o reencontro com a história é inevitável. Foi contra o Brasil que o Zaire protagonizou uma das cenas mais lembradas das Copas, quando um jogador avançou na barreira antes de uma cobrança de falta. Mais de meio século depois, a RD Congo tenta deixar esse passado como curiosidade e escrever um capítulo mais competitivo.


