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Recuperação judicial e extrajudicial: Entenda a diferença entre processos

Amanda Rocha
Última atualização: 11 de março de 2026 12:52
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A recuperação extrajudicial tem sido o tema central no mercado financeiro. Após o GPA (Grupo Pão de Açúcar) anunciar um acordo com 46% de seus credores para reestruturação de dívida, a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, também solicitou um tempo ao mercado para lidar com sua dívida de R$ 65,1 bilhões.

Embora a recuperação extrajudicial seja comum em empresas do varejo, pode gerar confusão entre credores não-profissionais que investem em ações dessas empresas. A recuperação extrajudicial pode indicar dificuldades financeiras, mas não necessariamente significa que a empresa está prestes a falir, ao contrário de alguns casos de recuperação judicial.

A recuperação judicial é um instrumento legal utilizado por empresas próximas da falência, conforme a Lei nº 11.101/2005. Essa lei permite que as companhias superem dificuldades financeiras sem a necessidade de liquidação imediata de ativos. A empresa deve solicitar a ação a um juiz, que decidirá sobre a continuidade do processo. Após a aprovação, a empresa apresenta um plano de recuperação aos credores, que deve ser aceito por mais de 60% deles para que o processo se inicie.

Os requisitos para a recuperação judicial incluem documentação da situação financeira, um plano detalhado de recuperação e projeções de fluxo de caixa para pagamento das dívidas. Exemplos de empresas que passaram por esse processo incluem Americanas, Oi, Samarco e Odebrecht.

A recuperação extrajudicial, por sua vez, não envolve o poder judiciário. A empresa deve elaborar um plano de recuperação para os credores, que, se aceito, resulta na reestruturação da dívida. Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, afirma que a recuperação extrajudicial é um passo anterior à judicial, sendo a primeira opção para empresas endividadas.

Daniela Correa, advogada especializada em Direito Empresarial, considera a recuperação extrajudicial positiva, pois preserva a empresa e suas operações. Arthur Horta, sócio da Link Investimentos, destaca que a decisão do GPA e Raízen representa uma negociação mais flexível e amigável com os credores, sendo geralmente bem recebida pelo mercado.

Tozzi ressalta que a recuperação extrajudicial não é o fim para GPA ou Raízen, mas um pedido formal de tempo para o mercado, permitindo que diversas possibilidades se desenrolem nos próximos meses.

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