A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode elevar em até 15% os custos com mão de obra na indústria da construção, conforme estudo divulgado pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).
Segundo a entidade, esse aumento representa R$ 155,6 bilhões por ano, ou a necessidade de contratar 288 mil novos trabalhadores, com um custo adicional de R$ 13,5 bilhões anuais.
O estudo, elaborado pela economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2024, indica que a mudança elevaria o custo da hora trabalhada em cerca de 10%, passando de R$ 15,01 para R$ 16,51.
O impacto seria mais significativo em micro e pequenas empresas, que constituem a maior parte do setor, e nas obras de habitação popular, onde a mão de obra tem um peso maior no custo total.
Atualmente, o setor da construção emprega cerca de 3 milhões de trabalhadores formais no Brasil e movimenta uma cadeia produtiva que envolve aproximadamente 13 milhões de pessoas, incluindo fornecedores de materiais, serviços e equipamentos.
O estudo apresenta três cenários possíveis para compensar a redução da jornada. O primeiro é diminuir o ritmo das obras, o que poderia atrasar projetos, reduzir a oferta de imóveis e ampliar o déficit habitacional.
A segunda alternativa seria a contratação de novos trabalhadores, o que exigiria a admissão de cerca de 288 mil profissionais, com um custo adicional estimado em até R$ 13,5 bilhões por ano, incluindo encargos.
Entretanto, essa opção pode ser dificultada pela falta de mão de obra e pelo baixo nível de desemprego no país.
““É fundamental que essa discussão ocorra com base em dados e levando em conta seus impactos econômicos e sociais”, conclui a economista Ieda Vasconcelos.”
O terceiro cenário envolve a realização de horas extras. Considerando o adicional legal de 50%, o custo extra chegaria a R$ 14,8 bilhões por ano, ou R$ 20,3 bilhões com encargos trabalhistas básicos.
Com isso, o custo da mão de obra no setor subiria para R$ 155,6 bilhões, representando um acréscimo de 15% sobre o patamar atual.
Os custos da construção já vêm subindo acima da inflação. O Índice Nacional de Custos da Construção, da Fundação Getulio Vargas, acumulou alta de 5,81% em 12 meses até janeiro de 2026, enquanto o índice oficial de inflação ficou em 4,44%.

