O distanciamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, pode resultar no adiamento da votação da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para depois das eleições de outubro.
O Palácio do Planalto deseja resolver a questão antes dessa data. No entanto, aliados de Alcolumbre afirmam que uma decisão sobre a votação só será tomada em uma reunião presencial entre os dois, o que atualmente é considerado improvável.
Há uma avaliação no entorno de Lula de que Alcolumbre está mais recluso devido às investigações envolvendo o Banco Master e à pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso do banco de Daniel Vorcaro. Para esfriar essa possibilidade, Alcolumbre esvaziou o Senado, que já trabalha em modo semipresencial e sem projetos de grande impacto político na pauta.
A escolha de Lula por Messias, em novembro do ano passado, desagradou Alcolumbre, que pretendia emplacar o senador Rodrigo Pacheco na vaga aberta no STF pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Diante da resistência e da campanha pela rejeição de Messias no Senado, o governo não enviou a mensagem oficializando a indicação.
Esse movimento levou Alcolumbre a desmarcar a sabatina, prevista para o dia 10 de dezembro, o que irritou o presidente do Senado. A ideia de Alcolumbre era dar pouco tempo para Messias percorrer os gabinetes dos senadores em busca de votos.
A crise resultou no corte de relações entre Alcolumbre e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que fez campanha pela indicação de Messias, que trabalhou em seu gabinete. Em 7 de dezembro, Lula recebeu os senadores Renan Calheiros e Eduardo Braga na Granja do Torto, onde foi informado que a questão de Messias só seria resolvida em um encontro pessoal com Alcolumbre.
Dois dias depois, Lula ligou para Alcolumbre, agradecendo a votação do Orçamento de 2026, mas não discutiram a indicação de Messias nem marcaram um encontro. No início de março, Lula e Alcolumbre conversaram novamente, mas sem agendar um encontro. Alcolumbre afirmou que espera ser chamado por Lula, ressaltando que a iniciativa deve partir do presidente.
““A gente espera ser chamado por todas as pessoas que a gente tem respeito e consideração”, disse Alcolumbre.”
A tendência é que Jorge Messias aguarde mais tempo para ser sabatinado do que André Mendonça, que ficou mais de quatro meses à espera da votação no Senado após ser indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Alcolumbre, então presidente da Comissão de Constituição e Justiça, demorou 141 dias para pautar a indicação de Mendonça.
Agora, o governo segura o envio da mensagem para evitar que o Senado, sob a liderança de Alcolumbre, rejeite o indicado de Lula. Desde a oficialização da indicação de Messias, em 20 de novembro de 2025, já se passaram 119 dias.

